Coluna Magnavita | Diplomacia brasileira em alerta com a chance da volta da família Bolsonaro ao Planalto
Um clima de alerta está tomando conta do primeiro escalão do Itamaraty e dos principais titulares das embaixadas brasileiras no exterior. O acordo celebrado entre os irmãos Bolsonaro, que viabilizou o consenso sobre a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à presidência, deixou para Eduardo as decisões sobre o futuro da política externa. Em um primeiro desenho, seria ele próprio o futuro chanceler do irmão. Havendo impedimento legal, caberia a ele a escolha do futuro ministro. Aí entra o fator Ernesto Araújo, que assusta a diplomacia. No tumultuado processo sucessório, o futuro do Itamaraty não tem ganho a atenção que merece.
Se for eleito, as pessoas mais próximas do senador Flávio Bolsonaro sabem que o perfil do último Chanceler do seu pai é o que lhe agrada. Mas como ele pode romper o apetite de Eduardo sobre a pasta? E o acordo familiar? Será quebrado?
É por isso que as atenções se voltam para o Canadá e vai muito além de ter sido uma das sedes da Copa. O embaixador Carlos Alberto Franco França exerce a função de Embaixador do Brasil.
Ele foi aprovado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado e assumiu oficialmente o posto em 24 de agosto de 2023. Um dos nomes mais respeitados da diplomacia brasileira, Carlos França atuou no topo da chancelaria brasileira como Ministro das Relações Exteriores (Ministro do Itamaraty) entre abril de 2021 e janeiro de 2023.
Ele foi responsável por colocar a casa do Barão do Rio Branco nos trilhos depois da tumultuada passagem do primeiro chanceler de Bolsonaro. A gestão de Ernesto Araújo no Itamaraty (2019-2021) rompeu com a histórica tradição de pragmatismo, moderação e neutralidade da diplomacia brasileira. Ela foi marcada por fortes embates ideológicos, alinhamentos automáticos e tensões com grandes parceiros comerciais.
O ex-chanceler defendia que as organizações multilaterais (como a ONU) ameaçavam a soberania nacional e promoviam uma agenda de esquerda. É de arrepiar os episódios com a China. Ele protagonizou duras discussões públicas e trocas de acusações com a embaixada chinesa no Brasil, alimentadas por publicações em suas redes sociais e termos como "comunavírus" durante a pandemia.
Coube ao Ministro Carlos França juntar os cacos e estabilizar a diplomacia brasileira, restabelecendo o respeito à hierarquia. A ida de França para a Embaixada do Canadá foi uma demonstração de reconhecimento dos seus pares à sua condução ímpar na pasta.
Já o ex-chanceler Ernesto Araújo atualmente vive no Cairo, no Egito, e atua no setor privado internacional, estando temporariamente afastado de suas funções ativas como diplomata de carreira. Desde julho de 2022, Araújo está em uma licença extraordinária não remunerada do Serviço Exterior Brasileiro. Por estar de licença, ele não recebe salários ou gratificações do governo federal. O afastamento pode continuar por tempo indeterminado enquanto sua esposa estiver lotada no exterior.
Ernesto Araújo reside no Cairo para acompanhar sua esposa, Maria Eduarda de Seixas Corrêa, que exerce a função de conselheira na Embaixada do Brasil no Egito. Já ele atua como assessor estratégico internacional da Fundação Disenso, uma organização política vinculada ao partido de direita espanhol Vox. Seu papel envolve expandir as redes de colaboração conservadoras entre os países da chamada "Iberosfera".
O que tem deixado a turma do Itamaraty em estado de alerta são as notícias sobre o ativismo político de Ernesto Araújo com Eduardo Bolsonaro, cada vez maior. Seria um pesadelo, de fazer o barão do Rio Branco se revirar na tumba, o seu regresso.
Com a polarização, a possibilidade do regresso da família Bolsonaro ao Planalto é uma realidade e, na construção do cenário que se desenha no horizonte, só o nome ou um perfil similar ao de Carlos França traz sossego à diplomacia brasileira.