Coluna Magnavita | A forma nada inteligente da Gol na Magno, sua nova categoria

Companhia despreza os passageiros Diamante e passa a valorizar trechos voados, esquecendo o volume de receita gerado pelas altas tarifas

Por Cláudio Magnavita*

Passageiros Magno têm mais prioridade do que Diamante na Gol

Companhia despreza os passageiros Diamante e passa a valorizar trechos voados, esquecendo o volume de receita gerado pelas altas tarifas

Os passageiros da Gol que eram a categoria Diamante estão furiosos com a aérea. Com a criação da categoria Magno, eles sofreram downgrade de vários benefícios, entre eles, a possibilidade de antecipar o voo no portão de embarque.

Só que a nova categoria Top da voadora laranja possui algumas distorções primárias, coisa de quem a concebeu sem vivenciar o dia a dia dos passageiros frequentes.

O maior erro do programa é o gatilho, que exige 50 trechos voados e apenas 50 mil milhas, sem considerar o tipo de tarifa e o volume de receita de cada bilhete. Se um passageiro voar 30 trechos na mais alta tarifa, terá acumulado mais de 100 mil pontos, mas continuará Diamante, sem atingir a Magno.

O maior erro do Smiles da Gol é o fato de ele ter sido concebido para uma empresa focada em voos curtos e sem oferta de classe executiva. Agora, a empresa vai começar a voar para Paris, Lisboa e Nova Iorque com os Airbus A330, e com a classe INSIGNIA by GOL. A cabine marca uma mudança histórica na estratégia da companhia, que passa a operar aeronaves de grande porte (widebody) para destinos internacionais de longa distância, fora da América do Sul.

Se um passageiro voar mensalmente para Paris na INSIGNIA, vai gerar 50 mil pontos mensais e chegará ao final do ano com quase 1 milhão de pontos. Porém, só terá feito 24 trechos. O seu gasto será de US$ 72 mil, algo em torno de R$ 300 mil, mas nunca chegará a Magno.

Já se um passageiro, na categoria Prata ou Ouro, gastar R$ 20 mil em um ano, voando 50 trechos de R$ 400 cada, fará 60 mil milhas. A conta pode ser menor, contudo, ele poderá virar Diamante ou Magno no meio do caminho.

Vale lembrar que uma única ida e volta na classe INSIGNIA para Paris está custando os mesmos R$ 20 mil. Por que o passageiro que gera caixa para a empresa é penalizado pelo gatilho dos 50 trechos? Um detalhe: cada voo feito com uma passagem paga por milhas serve para acumular trechos voados.

O programa possui erros graves, mas a companhia, que vive uma fase de soberba e se deslumbra com as novas rotas de longo curso, parou de fazer conta e de pensar em uma categoria de clientes como os Black Signatures da Latam, que são tratados como príncipes, já que o critério é feito em uma cultura de alto valor agregado por passagens voadas. São passageiros que verdadeiramente dão lucro e financiam as tarifas promocionais priorizadas.

Para conquistar os Black Signatures da Latam, a Gol terá de tirar estas chancelas insanas que colocou no acesso à categoria Magno e demonstrar que não despreza a sua base de clientes Diamante. A Magno possui falhas graves na sua concepção de acesso, uma decisão nada inteligente.

*Jornalista especializado em aviação e ex-conselheiro da ANAC