Coluna Magnavita | Internacionalização amplia importância do Fórum de Lisboa
Edição bateu todos os recordes anteriores
Como a coluna antecipou na edição de quarta, no encerramento do XIV Fórum de Lisboa foi anunciada a sua ampliação, passando a ser bem semelhante ao Fórum Mundial de Davos. O evento consolidou reflexões profundas sobre os impactos da era digital na governança contemporânea.
Diante do recorde de internacionalização, o ministro Gilmar Mendes sugeriu formalmente alterar o nome do evento para Fórum Mundial de Lisboa nas próximas edições.
O sucesso da edição de 2026 pode ser medido pelos números. A organização, temendo o esvaziamento do Fórum no último dia, transferiu a sessão de encerramento para o anfiteatro da Faculdade de Direito, que tem a metade do tamanho do auditório da reitoria. Erraram feio, já que os painéis foram os protagonistas de 2026. Houve um overbooking. Casa completamente lotada, com muita gente em pé e barrada do lado de fora. Um sucesso incontestável. A edição reuniu 2.435 credenciados, 432 palestrantes e 70 painéis, contando com participantes de 15 países. Com o aumento expressivo de mulheres palestrantes, 47% a mais da edição 2025.
Ampliação lusófona - Destacou-se o fortalecimento do diálogo com países de língua portuguesa, como Moçambique, Cabo Verde e Angola. Um papel que surgiu naturalmente. No encerramento, o professor Carlos Blanco de Morais apontou que o mundo vive um "tempo de vésperas" rumo à idade digital. A principal urgência debatida foi a necessidade de colocar os valores humanos no centro do desenvolvimento da inteligência artificial e da robotização. Os debates concluíram que a nova ordem exige instituições resilientes, cooperação internacional transversal e respeito rigoroso às regras constitucionais para frear a polarização e a erosão dos espaços públicos.
Ameaças Globais à Inovação e à Economia - Combate ao populismo: pela manhã do último dia, o economista Joel Mokyr (vencedor do Nobel de Economia de 2025) concluiu em sua participação que o populismo e a xenofobia figuram hoje como as maiores ameaças globais ao avanço científico e à inovação tecnológica. O debate econômico alertou que regiões como a América Latina precisarão criar novos mecanismos locais de sobrevivência financeira e atração de capital privado para enfrentar o enfraquecimento das coalizões globais tradicionais.
Sem esconder a sua satisfação com o sucesso da edição que muitos apostavam que fracassaria, até pela antecipação das datas, o ministro Gilmar Mendes, de fato, recorreu ao antigo provérbio português na sessão de encerramento do XIV Fórum de Lisboa. Ao rebater as críticas contundentes da imprensa e de opositores políticos sobre a realização do evento — frequentemente apelidado de "Gilmarpalooza" —, ele disparou: "ninguém se livra de pedrada de doido nem de coice de burro."
O ministro utilizou o ditado popular para ironizar os ataques da imprensa e de opositores que questionam os custos, o financiamento de diárias públicas e o suposto lobby no evento. O ministro foi aplaudido calorosamente pelo auditório lotado.
No encerramento do Fórum de Lisboa, Carlos Ivan Simonsen Leal, presidente da FGV, utilizou o latim e as Lições de Cícero para traçar paralelos entre o direito clássico e os dilemas éticos da inteligência artificial. O discurso destacou a desorganização digital com "O tempora, o mores!" e enfatizou que o desenvolvimento tecnológico deve ser subordinado ao bem-estar social através do princípio "Salus populi suprema lex esto".