Coluna Magnavita | Fórum de Lisboa se consolida como a "Davos" brasileira
A 14ª edição do Fórum de Lisboa será marcada por um novo protagonista. A parte plenária do evento que se encerra nesta quarta, 03 de março, pela primeira vez, não foi ofuscada pela presença de políticos em busca de holofotes e estimulando polêmicas. O grande protagonista foram os painéis e os debates realizados na Faculdade de Direito de Lisboa e no salão principal da Reitoria. O formato de anfiteatro das salas, com isolamentos acústicos perfeitos e transmissão em vídeo, além do peso dos painelistas, permitia uma imersão em temas que raramente são debatidos com tanta profundidade. É neste ponto que a curadoria da Fundação Getúlio Vargas e do IDP funcionam.
O Fórum de Lisboa se consolida como uma "Davos Brasileira" com o Brasil discutindo o Brasil e temas fundamentais para o país são visitados, que só um distanciamento geográfico permite. O efeito do Fórum de Lisboa é semelhante ao do Econômico de Davos, também com um distanciamento geográfico em pleno inverno europeu, com os principais protagonistas do planeta pensando nas questões globais.
Em edições anteriores, a presença massiva de chefes de poderes, de ministros do STF e de governadores desviavam atenções dos painéis. Ofuscavam os debates e transferiam para as antessalas as atenções e a abordagem a autoridades.
A edição 2026 é histórica pelo seu conteúdo que precisava merecer uma maior atenção da própria mídia e deveria ser compartilhado pelos organizadores de forma intensa. Um chamamento para uma audiência on-line e interativa, já que não existe outro momento de debate de agendas setoriais e carente de debates em ciclos anuais.
O ministro Gilmar Mendes, já conformado com o rótulo de Gilmarpalooza (pilheriou com a coluna afirmando que pensa até em registrá-lo no INPI) constrói um legado fundamental para um país que poucas vezes pensa sobre o seu futuro e analisa o seu presente de forma tão consistente. A imprensa tem que ser convocada a compartilhar o conteúdo dos temas setoriais, que vão muito além da questão jurídica. A persistência e a qualidade dos debates estão vencendo os preconceitos e a miopia do Brasil debater o Brasil.
A grande dificuldade para o participante é eleger quais os painéis acompanhar. No primeiro dia, foram 25; e no segundo 30. Nesta quarta, mais 15. Todos extremamente importantes. Fundamental é a qualidade dos moderadores, que deveriam ser orientados para a participação da plateia. Quando isso ocorre naturalmente o debate fica enriquecido.
Na coluna de amanhã, o Correio da Manhã trará os principais temas debatidos e a atuação nos debates que sao relevantes para o Rio. No de energia, brilhou o CEO da Light , Alexandre Nogueira; e no de Saneamento o destaque foi a presença de Ancelmo Leal, presidente da Aegea; além da estreia do novo presidente da CEDAE, Rafael Rolim. No segundo dia, o fundador do BTG-Pactual, André Esteves, deu um show como mediador. Se não fosse banqueiro, seria um jornalista de sucesso na carreira. Foi impecável ao moderar o jornalista Thomas Friedman, do The New York Times.