Coluna Magnavita | As 'fortes' ligações da Total com a Casa dos Ventos
A ofensiva contra o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026 pode ter um componente bilionário nos bastidores da disputa. Aliado do setor eólico e de baterias, o deputado Danilo Forte (PP-CE) tem atuado para tentar barrar as contratações previstas no certame para atender aos interesses de um antigo aliado: o empresário Mário Araripe, dono da Casa dos Ventos, empresa que tem como sócia a gigante francesa do setor elétrico TotalEnergies.
O leilão realizado pelo governo terminou com ampla contratação de térmicas a gás, resultado que desagradou agentes ligados ao setor renovável, especialmente grupos que defendem expansão acelerada de eólicas, solares e sistemas de baterias. Desde então, Danilo Forte intensificou ataques ao certame e passou a defender publicamente de maneira incisiva maior presença de baterias e renováveis na matriz energética.
A movimentação converge com interesses econômicos de Mário Araripe. Em 2022, a TotalEnergies adquiriu participação em ativos da companhia em uma operação de US$ 550 milhões, por 34% da empresa, com cláusulas de earn-out – quando parte do preço de venda de uma empresa é condicionado a metas de desempenho – atreladas à evolução e entrada em operação de novos projetos. Pelo acordo, a Total poderia comprar novos percentuais da Casa dos Ventos a preços justos, de mercado.
A pressão sobre Araripe aumentou à medida que o curtailment – o corte compulsório de geração das energias renováveis – passou a afetar o negócio. Segundo fontes do setor, a TotalEnergies avalia que a situação estaria impactando fortemente o resultado financeiro dos ativos recém adquiridos da Casa dos Ventos e, por isso, pressionando o empresário cearense a resolver a situação. A ideia é que reduzir os prejuízos causados pelos cortes – por meio da expansão de baterias, por exemplo – pode valorizar a segunda parte da transação.
Executivos da própria TotalEnergies já declararam publicamente que baterias são estratégicas para reduzir os impactos do curtailment no Brasil e confirmaram interesse em disputar, ao lado da Casa dos Ventos, o futuro leilão previsto pelo MME para 2026.