Coluna Magnavita | O vergonhoso julgamento do TSE por alguns ministros do STF. Um contorcionismo jurídico nunca visto na história

Por Claudio Magnavita

Sessão que deu início ao julgamento da eleição no Rio

O julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal viu um dia histórico. Não pelo julgamento do destino do Rio de Janeiro, mas por outro réu que chamou atenção do mundo jurídico e constrangeu, pela situação inédita, os membros do judiciário que assistiam a transmissão ao vivo na tarde desta quarta, 08 de abril de 2026. Quem estava na verdade sendo julgado pela parte mais militante da corte era o TSE- Tribunal Superior Eleitoral. Foi vergonhoso ver alguns ministros do Supremo tentar ridicularizar um julgamento impecável, de uma corte eleitoral como se ela fosse um juizado de primeira instância conduzido por um magistrado recém formado.

O constrangimento maior é que naquele plenário estavam três integrantes do TSE, inclusive a presidente da corte, que virou uma gigante ao defender o julgamento que presidiu e era questionado pelo novato da casa, o quase imberbe Cristiano Zanin, que foi socorrido pela ironia refinada e felina do ministro Flávio Dino algumas vezes e pelas intervenções de apoio do Ministro Alexandre de Moraes.

A ironia de Dino não resistiu à firmeza moral da Ministra Cármen Lúcia, que, ao responder ao colega maranhense, usou a solidez moral das grandes matriarcas mineiras e fuzilou "estamos diante de um contorcionismo jurídico, que usa uma reclamação, o artifício para fugir da corte eleitoral, questionando a partir de uma ata, já que o acórdão aguarda os prazos de recursos". Como presidente da Corte, ela defendeu seus pares que foram unânimes no julgamento, considerando prejudicada a cassação do diploma de governador de Cláudio Bonfim de Castro.

Submeter um julgamento do TSE, órgão supremo da justiça eleitoral, a uma revisão pública, em um julgamento no qual parte dos julgadores estão a serviços de uma agenda eleitoral para beneficiar o inconformismo de uma célula partidária estadual interessada em implodir adversários antes do embate das urnas é vexaminoso. Até que ponto alguns ministros do STF não compreendem que estão sendo assistidos e observados pela a opinião pública, pela imprensa e pelo próprio judiciário? A desconexão com a realidade é tão grande assim? Será que acham que a toga não sai enlameada por serem tão servis?