Coluna Magnavita | Eleição direta no Rio: o primeiro round da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro
Paes e Ruas serão coadjuvantes de uma eleição nacionalizada pelo STF
Paes e Ruas serão coadjuvantes de uma eleição nacionalizada pelo STF
O presidente Lula pode ter cometido, na última quinta-feira, 26, um dos seus maiores erros políticos: antecipou em oito meses o primeiro round do seu embate com Flávio Bolsonaro e isso em um terreno hostil. Naquela quinta, ele foi convencido por Eduardo Paes, Marcelo Freixo e Washington Quaquá a aderir à tese da eleição direta no Rio para o mandato tampão de Governador. Até aquele momento o presidente apoiava eleições indiretas e estava disposto a falar com os presidentes de partido em favor do seu candidato André Ceciliano, ex-presidente da Alerj e com um consolidado apoio entre os deputados fluminenses. André tinha chances de surpreender e eleito, garantir um palanque para Lula no Rio.
A adesão de Lula coincidiu com uma reviravolta no Supremo, com o seu ministro e ex-advogado Cristiano Zanin pedindo destaque a um processo que já aprovava a indireta e dava o prazo de 24 horas para desincompatibilização e ao mesmo tempo, como relator de um novo pedido do PSD,concedia liminar suspendendo a indireta e ordenando eleições diretas no Rio.
O que seria um cruzado de direita na candidatura de Douglas Ruas virou motivo de aplausos do candidato e colocou Lula no meio de uma confusão que até então não era sua. Esta disputa se nacionalizou. Vai ser o primeiro round da disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula, com todo o Brasil prestando atenção, afinal, o Rio é uma caixa de ressonância nacional. Este pode ter sido um dos maiores erros políticos do lulismo na busca de um quarto mandato. Ele tirou André Ceciliano da disputa e ele mesmo entrou no ring para o primeiro embate com Flávio Bolsonaro em condições desfavoráveis para quem ocupa a Presidência da República.