Coluna Magnavita | A prisão 'eleitoral' de Salvino não se justifica

É inacreditável que um secretário de estado só resolva avisar o seu chefe da prisão de um parlamentar do Poder Legislativo da capital com ela em curso. Isso, em um ano eleitoral, com um integrante do partido do prefeito Eduardo Paes, do qual foi integrante do primeiro escalão.

Por Cláudio Magnavita

Vereador Salvino Oliveira

A política do Rio viveu um triste capítulo com o acirramento do clima entre o pré-candidato Eduardo Paes e o Governador Cláudio Castro. O entendimento até então civilizado entre os dois azedou com um fato que pegou os dois de surpresa: a prisão do vereador Salvino Oliveira. Sim, surpreendeu os dois. O governador só soube da operação às 8:30 da manhã, no mesmo dia da prisão. Foi quando o secretário Felipe Curi avisou ao chefe do Executivo estadual.

É inacreditável que um secretário de estado só resolva avisar o seu chefe da prisão de um parlamentar do Poder Legislativo da capital com ela em curso. Isso, em um ano eleitoral, com um integrante do partido do prefeito Eduardo Paes, do qual foi integrante do primeiro escalão.

Foi exatamente o que ocorreu, com um agravante: o secretário da Polícia Civil era, até há poucos dias, um pretenso concorrente de Paes ao Palácio Guanabara e deverá se desincompatibilizar para concorrer a deputado federal.

O governador Cláudio Castro e o seu entorno ficaram aborrecidos com o episódio. Aborrecimento que não evitou que o próprio Castro retrucasse uma infeliz postagem de Paes no dia anterior com a alusão à prisão do ex-secretário de Esportes, Alessandro Carracena, duplamente preso por ligação com o Comando Vermelho.

É lamentável que operações policiais sirvam como instrumento de fazer política, principalmente quando as acusações contra Silvino são facilmente rebatidas. O vereador tem uma bonita trajetória pessoal, que passa pela sua origem humilde e o seu crescimento a partir da sua origem em comunidade.

Brilhante foi a posição do vereador Carlo Caiado, presidente da Câmara, que, de forma corajosa, apontou as falhas da investigação que motivou a prisão, condenado pelo preconceito à origem humilde do parlamentar.

Felipe Curi foi preterido de uma possível indicação ao governo do Estado pela escolha que ungiu Douglas Ruas para a vaga de candidato da direita. A prisão de Salvino extrapolou todo o bom senso na condução e atuação eleitoral do secretário. Perde o Rio ao ver um jovem e talentoso político ser jogado na lama gratuitamente e por uma decisão contaminada com um interesse eleitoral frustrado do seu algoz.

É lamentável ver o jogo político começar desta forma.