Coluna Magnavita | Quem representou a Alerj na reunião que decidiu a chapa majoritária da direita em Brasília?

Cadê os deputados estaduais? Não se constrói começando pelo telhado

Por Cláudio Magnavita

Reunião partidária em Brasília que decidiu a chapa majoritária da direita não incluiu um protagonista importante: um representante dos deputados estaduais. Não se constrói uma casa começando pelo telhado

Foi a primeira chapa majoritária estadual da direita a ser anunciada de forma completa no país. O estado do Rio saiu na frente. PL na cabeça da chapa e uma vaga do Senado, com Progressistas de Vice e União com a segunda vaga do Senado. Quem apostava em um racha da direita naufragou. Foi uma conversa e na mesa uma posição estratégica com muitas pesquisas. Nada por impulso.

Ao definir Douglas Ruas (PL) como candidato a governador, o experiente Rogério Lisboa como vice, o governador Cláudio Castro (líder nas pesquisas) e Márcio Canella na outra vaga ao Senado, a composição eliminou o efeito Washington Reis na chapa de Eduardo Paes. Ele ficou reduzido a um pedaço da Baixada e os três maiores colégios eleitorais na mão da chapa que vai fazer oposição.

Um telefonema de Eduardo Paes ao Dr Luizinho tentou atrair, até o último minuto, a Federação União Progressista. Fez de tudo e, como revelou a coluna na edição de terça, 24, ofereceu de bandeja a vaga de vice, já anunciada para Jane Reis do MDB. O nome de Rogério Lisboa foi oferecido em várias conversas e ele seria ungido por Paes.

A pergunta que não quer calar é: Douglas Ruas, um deputado estadual desconhecido, terá chance de vitória contra um prefeito de capital de vários mandatos e o queridinho da Globo? A análise do publicitário Paulo Vasconcelos animou a turma da direita. Ele é uma página em branco, com rejeição zero e com ingredientes que podem ser dourados em uma campanha eleitoral. Em junho de 2025, a coluna Magnavita publicava: "Bem casado, com uma família bonita, com excelente desempenho no Executivo como secretário de Habitação, oriundo de um dos maiores colégios eleitorais do estado, é um nome que precisa ser tratado com o maior respeito pelo lastro eleitoral que traz. O PL fluminense está coeso com ele."

Um fato que pesou é sua experiência na área de segurança, um dos calcanhares de Aquiles de Paes. Tanto o capitão Nelson, prefeito de São Gonçalo, como Douglas, são oriundos da área policial. Pré-requisito que vai ser explorado na campanha eleitoral.

O que seria um passeio para Eduardo Paes começa a virar uma disputa eleitoral acirrada na questão numérica e dos colégios eleitorais onde ele perde força. A sua escolha por Washington Reis, que terá a irmã na sua chapa, mas apoiando Bolsonaro e Cláudio Castro, deixa o PT com uma pulga atrás da orelha. Na verdade, eles terão só meio palanque para Lula. A Baixada fechou agora com Flávio. O Rio sozinho não fecha a conta nem para Paes e nem para Eduardo.

Na reunião em Brasília um flanco ficou aberto. O do nome do Governador que completará o mandato de Claudio Castro. Para isso, seria necessário trazer todo este jogo para uma base da pirâmide que há anos vem sendo desprezada pelos caciques do estado, os deputados estaduais. São eles que terão o poder de eleger. Governador tampão. Havia algum deles sentado na mesa que decidiu o futuro do Rio?

Há anos o poder Legislativo estadual tem sido tratado como cidadãos de segunda classe na política. Na hora de distribuir o fundo partidário, o foco é eleger deputados federais. São eles que garantem a distribuição destes fundos eleitorais. Isso é válido para o aspecto partidário nacional, mas não se aplica numa conjunção de eleição indireta que depende exclusivamente da Assembleia Legislativa.

Os deputados estaduais estão cansados de verem o processo ser decidido de cima para baixo. Com o impeachment de Wilson Witzel, o Legislativo estadual ganhou peso e teve papel de protagonista nas duas gestões de Cláudio Castro, afinal ele foi fruto no seu primeiro mandato deste movimento da Alerj.

Agora, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro - Alerj volta a ter protagonismo. Só que no sentido inverso, não tirar mais de eliminar e sim escolher um nome para o governo. Este processo de valorização do Legislativo estadual já estava sendo jogado quando o candidato natural à sucessão era o presidente da própria casa, o deputado Rodrigo Bacellar. Antes da Operação Unha e Carne ninguém duvidava que ele seria o candidato natural ao governo. Douglas Ruas, escolhido agora, é deputado estadual, mas a sua liderança com os colegas sempre foi ínfima se comparada a de Bacellar.

Ao deixar em aberto a escolha do nome que será ungido governador pela Alerj, os caciques começaram a construir a casa pelo telhado. Jogaram os nomes de abril e qual será o nome para o primeiro passo, com a desincompatibilização de Cláudio Castro? Este jogo começou a ser exercido quando o Vice, Thiago Pampolha, foi para o Tribunal de Contas do Estado e a sucessão ficou nas mãos dos deputados estaduais com a eleição indireta. Não foi obra do acaso.

A definição do nome do governador tampão é fundamental para a eleição de um candidato governista para disputar com Paes. O estado está em uma situação tão delicada que o seu colapso fará desmoronar toda a engenharia de vitória de Douglas Ruas contra Eduardo Paes. A situação do Rio depende cada vez mais do Governo Federal e Lula será bonzinho com os seus opositores no Rio?

Neste jogo, o importante não é o nome que será colocado na cadeira de governador, mas, nesta fase, a valorização de quem o colocará lá, no caso, os deputados estaduais. É por isso que o nome de André Ceciliano, apesar de ser do PT, tem surgido. Ele materializa um momento áureo do Legislativo estadual. Já o nome de Nicola Miccione vai muito além de ser o candidato de Cláudio Castro. Ele sempre manteve a Casa Civil aberta para o Legislativo estadual e traz um componente que é Vital para grande parte dos caciques que estavam na reunião de Brasília, que escolheu a chapa majoritária: um relacionamento respeitoso com o Judiciário. Alguém duvida do peso do Judiciário na eleição de 2026, com tantos panos pendurados sobre a cabeça de vários caciques? Ter um nome como o dele no Executivo não só acalma a Alerj como também traz respeito do Judiciário ao processo sucessório. Está na hora de valorizar o Legislativo estadual e disso ninguém deve pagar para ver, como fez o governador que sofreu impeachment achando que deputado estadual é agente político de segunda classe.