Coluna Magnavita | Os atabaques baianos estarão chamando atenção para Jaques Wagner
O que leva a um ex-governador da Bahia e líder do governo no Senado indicar, como consultor jurídico de um banco entrante no sistema financeiro, um ex-ministro do Supremo Tribunal Federal?
A indicação feita pelo senador Jaques Wagner do ex-ministro Ricardo Lewandowski, para o banco Master, vai além do rótulo do Master. Coloca um tempero baiano que envolve o empresário Augusto Lima e os seus negócios com o governo da Bahia.
O Correio da Manhã tem mostrado que os babalorixás do Planalto andam preocupados com o avanço do foco sobre o núcleo baiano, além do gênesis do Master com o CredCesta, o cartão de crédito que virou a bandeira dos empréstimos consignados do endividado baiano.
Se os manifestos dos passageiros que usaram o jatinho de Augusto Lima forem revelados, vai ser um caos na Bahia. Talvez só o governador Jerônimo Rodrigues escape.
A mistura que envolve poder executivo, com um ocupante de primeiro escalão ainda mais na pasta de Justiça e Segurança Pública e um contrato de R$ 5 milhões, apadrinhado pelo líder do governo, é critica. Todo mundo sabia que Ricardo Lewandowski tinha passagens pelo Master, mas o que se desconhecia era a corretagem do contrato ter sido feito por uma das maiores estrelas do PT. A resposta lacônica do senador "me pediram para indicar um bom advogado e me lembrei de Lewandowski", revela uma cumplicidade com o futuro contratante do ministro enorme.
A saída precoce, ou apressada, de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça, ocorreu em meio a uma crise de demonização da advocacia. Errado foi manter os vínculos do seu escritório enquanto cuidava de áreas como segurança pública e tinha a Polícia Federal sob a sua asa. Mas ele teve a hombridade de pedir para sair antes do noticiário. O que não se esperava era que o senador Jaques Wagner fosse exposto neste episódio.
A grande ironia é que os babalorixás do Planalto trouxeram um baiano para a cadeira de Ministro da Justiça. Um coquetel explosivo que ainda vai dar o que falar em um ano eleitoral.