Coluna Magnavita | A política do Rio não é para amadores, ainda mais o xadrez da sucessão
A política do Rio não é para amadores. O processo sucessório com a ausência do vice-governador e com o afastamento do atual presidente da Alerj cria um xadrez político que só os experts podem mexer as peças.
Se no início do recesso parlamentar o deputado Rodrigo Bacellar apresentar sua carta de renúncia da presidência da Assembleia Legislativa, o atual presidente em exercício, Guilherme Delaroli, terá de eleger um novo presidente. Empossado, o chefe do Legislativo será o governador do estado interino no caso da desincompatibilização do Governador Claudio Castro. No cenário de hoje, a missão será do presidente do TJRJ, desembargador Ricardo Couto.
É neste ponto que o jogo se complica. Se um parlamentar ficar à frente do Executivo estadual por apenas um dia, após o 5 de abril próximo, ele fica inelegível para concorrer à reeleição para deputado. A cadeira da Alerj vira uma guilhotina de mandato.
O presidente da Alerj, como governador, só pode concorrer à reeleição de governador. Ou seja, ele terá de ser eleito indiretamente pelos colegas e só poderá disputar para o governo em outubro de 2026.
O melhor cenário para a preservação dos mandatos é deixar o presidente do TJ assumir o governo e convocar a eleição indireta.
Tudo isso depende de um passo: o governador Cláudio Castro resolver sair para disputar o Senado. Ele pode, porém, resolver ficar até o fim da sua gestão e ele mesmo defender o seu legado político.
Este jogo de xadrez pode seguir o rito já praticado em Alagoas e no Tocantins. Um novo presidente da Alerj é eleito, fica como governador interino, concorre à eleição indireta e escolhe no final: concorrer à reeleição ao encerrar esta etapa tendo sido governador por alguns meses.
Só que aquele que sentar na cadeira de governador do Rio terá de administrar um déficit orçamentário de R$ 20 bilhões. Hoje, o Governador Cláudio Castro possui um peso eleitoral que o faz ser recebido e ter as portas abertas para o pleito do Rio. Faz uma diferença enorme.