Coluna Magnavita | O embate de Eduardo Paes e André Ceciliano esquenta a política fluminense
Em pleno feriado de São Sebastião a política fluminense esquentou, nesta, terça, 20 de janeiro, com a réplica do ex-presidente da Alerj e Secretário Nacional de Assuntos Federativos da Presidência da República, André Ceciliano, ao prefeito Eduardo Paes.
Foi um prato cheio para a turma que adora ver o circo pegar fogo e teve o efeito de encorpar a ideia de Ceciliano concorrer a Governador biônico no caso da candidatura do governador Cláudio Castro ao Senado.
Esta polêmica envolvendo Ceciliano x Paes está atingindo uma fervura surpreendente e levou os canais de notícias a colocar no noticiário a hipótese do PT ter realmente um candidato. Algo impensável há alguns dias.
Em Brasília, corre a notícia que a última conversa de Lula e Paes foi cordial, mas nada calorosa. O presidente recebeu Paes com a entrevista do vice (e futuro) prefeito Eduardo Cavaliere ao O Globo nas mãos. Lula teria lembrado que, no seu primeiro apoio a Paes, ele teve de enfrentar a resistência em casa. A sua esposa, Marisa Letícia, não perdoava o neo-aliado às críticas feitas ao filho.
André Ceciliano está de férias e passa alguns dias em Orlando, na Flórida. A sua assessoria distribuiu a seguinte nota em resposta a Paes: "Sobre o ataque despropositado feito hoje, 19.01, pelo prefeito Eduardo Paes em relação ao meu nome, me associando ao deputado Rodrigo Bacellar numa possível candidatura na eleição indireta para governador, que deverá acontecer em breve, no âmbito da Alerj, é preciso dizer que:
1) Em nenhum momento coloquei meu nome como candidato a coisa alguma em 2026, a não ser a deputado estadual, mas percebo na fala nervosinha do prefeito que ele está dando uma importância a mim maior do que eu imaginava - e isso me deixa sinceramente lisonjeado.
2) Sim, tenho sido procurado por deputados de diferentes matizes ideológicas sobre a possibilidade de disputar essa eleição indireta, mas já disse que esse projeto só fará sentido se, de alguma forma, isso vier a contribuir para a reeleição do presidente Lula no Rio, que precisa de um palanque no Estado berço do bolsonarismo no Brasil.
3) O prefeito e o seu entorno já deram todos os indicativos que pretendem se manter neutros em relação à eleição presidencial e já estão se aliando a nomes do bolsonarismo no Estado, como o pastor Sila Malafaia e governador Cláudio Castro, com quem afirma já ter um acordo para eleger um nome do PL para o mandato-tampão.
4) É chegada a hora de o prefeito se manifestar publicamente se será, de fato, um aliado do presidente nas eleições deste ano ou agirá de acordo com a sua fama de político que só pensa em si, sem palavra e que não tem gratidão por aqueles que um dia o ajudaram quando ele mais precisou. Atenciosamente. André Ceciliano".
Ao reagir à possível candidatura de Ceciliano através da mídia, o Prefeito Eduardo Paes permitiu o troco do petista. Ele mordeu a isca e deveria ter ficado indiferente à possibilidade da disputa na eleição indireta. "Quem está sozinho na pré-campanha tem que fugir destas armadilhas. Deve ter mais sangue frio e não pensar com o fígado", analisa um aliado que conhece muito a impulsividade do prefeito. "Hoje Paes só perde para o próprio Paes", finalizou.