Coluna Magnavita | O Brasil é especialista de destruir reputação de quem gera emprego e impostos

Nelson Tanure rebate: 'inverdades que deram ares de realidade ao que não passa de especulação'

Por Cláudio Magnavita

Tanure rebate: "inverdades que deram ares de realidade ao que não passa de especulação"

O Brasil se especializou na destruição de reputação. Qualquer dúvida é suficiente para massacrar toda uma vida empresarial.

Nos Estados Unidos, a primeira pergunta que um empresário recebe da mídia é: quantos empregos sua empresa gera? A segunda é: quanto você gera de lucro?

Nos trópicos, onde a moral católica cristã demoniza o lucro, ser empresário é enfrentar uma hostilidade gratuita e imediata. Ser empregador é sinônimo de explorador.

A simples apreensão de um celular, entregue de forma cordial por um empresário e investidor, que há anos tenta recuperar empresas mal administradas e viabilizá-las, gerou manchetes e um noticiário descomunal na mídia brasileira.

Nesta quarta (14) e quinta (15) de janeiro, o empresário Nelson Tanure esteve no centro deste massacre midiático, com televisões e canais de notícias, além dos jornais com manchetes que cristalizavam meias verdades. Ele não foi preso. Estava embarcando em avião de carreira com a roupa do corpo, para uma viagem de bate e volta a Curitiba para reuniões de negócios sobre empresas que controla. Teve site que deixou por horas a notícia de uma prisão que nunca ocorreu.

Por que tanto ódio para alguém que atua na vida empresarial, bem longe dos cofres públicos e que tem resultados positivos em várias empresas que administra?

Foi abordado de forma educada por Policiais Federais, que cumpriam um mandado assinado pelo Ministro Dias Toffoli. Foi cordial, que é uma das suas marcas pessoais, entregou o aparelho e abortou a viagem para falar com os seus advogados e compreender o que estava ocorrendo.

Esta saga destruidora sobre quem empreende vai muito além da mídia. Hoje é um conluio que mistura investigadores, órgãos reguladores, parte do Ministério Público e parte do Judiciário.

O grave é quando esta máquina de destruição de reputação vira instrumento para abater a concorrência.

Para esta máquina, não existe a presunção de inocência. Ninguém é inocente enquanto não provar que é. Uma inversão absurda do direito mundial. É necessário provar o dolo para ser culpado.

A Lava Jato destruiu empresas e milhares de empregos. Abriu o Brasil para as construtoras asiáticas. A lista de empresários brasileiros que já sofreram o efeito desta máquina de destruição de reputação e de empregos é gigante. Passa por Emílio Odebrecht, Ângelo Calmon de Sá, Eike Batista, Joesley Batista, Wesley Batista, Beto Sicupira, Jorge Paulo Lemann, Marcel Herrmann Telles, André Esteves, Mário Garnero, Wagner Canhedo, Rolim Adolfo Amaro, Nenê Constantino, Gabriel Donato de Andrade, Roberto Andrade, Flávio Gutierrez, Hamilton Lucas de Oliveira... só para citar alguns.

Cada um com uma longa história para contar. As manchetes que a crise das Americanas gerou foram demolidoras e, se os sócios Sicupira, Lemann e Telles, não fossem robustos, não resistiriam ao massacre midiático.

Toda esta leva de empresários já esteve no foco desta alcateia destruidora de reputação. Um traço comum a eles todos é continuar no Brasil. Eles são masoquistas? Na verdade, uma característica do empreendedor brasileiro é ser apaixonado pelo Brasil. É também a sorte do país que sempre corre o risco de perder estes geradores de emprego.

O pecado do Nelson Tanure é ver oportunidades em empresas que estão à beira do colapso. Ele possui vários casos de sucesso.

O grande perigo de 2026 é que a grande parte da mídia está ficando sob controle de parte do sistema financeiro. Destruir reputação virou uma forma de eliminar a concorrência, já que os destruidores usam uma capa de paladino que raramente são punidos depois.

O episódio do Master vai trazer grandes lições para o país e, neste caso, foi passada uma linha perigosa: a demonização da advocacia. Os ataques ao Supremo Tribunal Federal e ao Tribunal de Contas da União trouxeram ingredientes novos ao picadeiro de conflitos e destruição de reputação.

A nota pública de Nelson Tanure poderia, na essência, ter sido assinada por qualquer um dos empresários citados na lista acima, que, em alguma fase de sua trajetória de sucesso, foi trucidado por inverdades e especulações. Como afirma Tanure: "a cobertura sobre o fato foi agravada pela publicação de inverdades, dando ares de realidade ao que não passa de especulação".

Vale a pena ler com atenção o texto que publicamos na íntegra. Ele coloca pingos nos "is" e traz uma indignação, que só aqueles que foram vítimas de destruição de reputação podem expressar:

Na manhã desta quarta-feira (14/01/2026), fui surpreendido com um pedido de “busca pessoal”, emitido pelo STF, que atendi com respeito e prontidão. Na ocasião, meu celular foi recolhido.

Cena inusitada para mim, nessa quadra da minha vida, com mais de 50 anos de vida empresarial nos mais diversos campos da economia brasileira.

A cobertura sobre o fato foi agravada pela publicação de inverdades, dando ares de realidade ao que não passa de especulação.

Diante disso, em respeito à minha história e à de todos que dela participam, quero deixar uma mensagem aos que realmente me conhecem, acompanham, que fazem ou fizeram negócio comigo ou com empresas das quais participo.

1). NÃO fui nem sou controlador do extinto Banco Master, tampouco seu sócio, ainda que minoritário, direta ou indiretamente, inclusive por meio de opções, instrumentos financeiros, debêntures conversíveis em ações ou quaisquer mecanismos equivalentes.

2). Mantivemos com o referido banco relações estritamente comerciais, sempre na condição de cliente ou aplicador, assim como fazemos com outras instituições financeiras no Brasil e no exterior. Essas relações envolveram aplicações financeiras, operações de crédito, gestão de fundos e aquisição de participações societárias, sem qualquer ingerência na gestão ou conhecimento das outras operações internas dessas instituições. Todas as operações foram realizadas em estrita conformidade com a legislação e a regulamentação vigentes.

3). Jamais tivemos participação, ou sequer conhecimento, de eventuais relações mantidas pelo extinto Banco Master com terceiros, sejam eles Reag, BRB, Fictor ou outras instituições financeiras, fundos de pensão, fundos árabes, RPPA, entes públicos, políticos ou quaisquer outros agentes baseados em Brasília.

4). Os recursos financeiros que investimos, com resultados positivos ou não, têm origem exclusivamente em nossa trajetória empresarial, que gerou e segue gerando milhares de empregos e riqueza para a sociedade brasileira, e no crédito construído ao longo de décadas de atuação responsável no mercado.

5). Há bastante tempo vínhamos reduzindo gradualmente nossa exposição ao referido banco. Neste momento, os valores eventualmente remanescentes correspondem a perdas suportáveis, próprias de operações de tomadores de risco.

Permaneço, como sempre estive, à disposição das autoridades e da Justiça para cooperar, demonstrando a correção da minha conduta. Tenho fé, e plena confiança na seriedade das investigações, de que todos os fatos relacionados a mim serão devidamente esclarecidos e de que ficará comprovado que minhas relações com o extinto banco foram integralmente lícitas, ainda que, infelizmente, tenham nos acarretado bastantes prejuízos.

Sigo resiliente, com a serenidade de quem sempre conduziu seus negócios com responsabilidade e trabalho, investindo na recuperação de empresas que geram valor para o Brasil.

Nelson Tanure
Empresário e Investidor