Lewandowski se apequenou no seu último ato no Ministério da Justiça
Coluna Magnavita
Tem homens públicos que se apequenam no apagar das luzes de uma trajetória por decisões erradas, por senilidade ou pelo descuido de cuidar do seu encontro com a história. O agora ex-ministro da Justiça e Ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, se enquadra neste quadro lamentável. O seu último ato no Ministério foi encaminhar à Polícia Federal (PF) o pedido da deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG) para que a PF investigue o senador Flávio Bolsonaro por publicações que associam o Presidente Lula ao ditador venezuelano Nicolás Maduro.
Ao resolver vestir o pijama, Ricardo Lewandowski deveria ponderar qual seria o seu último ato no MJ. Escolheu atacar a liberdade do exercício do mandato parlamentar e ocupar a Polícia Federal com a denúncia de uma militante da esquerda que busca a ribalta e "denuncia" uma suposta prática de crimes contra a honra de Lula ao citar uma postagem do pré-candidato do PL à Presidência, na qual ele afirma que Maduro iria delatar o petista, o que causaria o fim do "Foro de São Paulo", realizada logo após o venezuelano ter sido capturado pelos Estados Unidos. A deputada do PT mineiro também alega que Flávio teria cometido os delitos de calúnia, difamação e injúria ao associar Lula e o grupo que reúne partidos de esquerda da América Latina a crimes como tráfico internacional de drogas e armas, além de lavagem de dinheiro.
Os embates entre parlamentares de correntes tão diferentes é normal. Travam uma luta ideológica comum na polarização. No caso, o próprio PT de Dandara se colocou em defesa de Maduro e as acusações feitas pelos EUA ao presidente venezuelano reforçam as críticas do senador.
Lamentável é a pressa de um agora ex-ministro de ser servil e despachar para a Polícia Federal um pedido de investigação que mereceria ser duplo. Deveria também pedir para a PF investigar a esquerda pelas acusações feitas pelo parlamentar de direita.
Lewandowski sempre foi descuidado com a sua biografia. Deixou o STF e foi advogar para clientes polêmicos e, ainda na presidência da corte suprema, esteve à frente do julgamento no Senado que resultou no impeachment da presidente Dilma Rousseff. Aceitou ser ministro da Justiça e atentou com a autonomia federativa ao defender a subordinação das forças de segurança do estados ao Governo Federal.
Poderia ter saído de cena de forma mais nobre. Ele se apequenou mais uma vez, vai ser lembrado como um ministro que, no seu último ato, tentou arranhar e prejudicar a imagem do opositor do seu chefe. Uma gesto inócuo, que a farta documentação e reportagens demonstram como o regime de Hugo Chaves financiou a esquerda na Argentina e no Brasil e como os marqueteiros do PT fizeram a campanha de Chave, recebendo das mãos do próprio Maduro sacolas de dinheiro vivo, sempre em dólar.
*Diretor de Redação do Correio da Manhã
