Coluna Magnavita | Os exageros da Globo para o caso de Indaiatuba. Falta 'dosimetria para a pena' da condenação midiática
No último domingo, 09 de novembro, assistimos estarrecidos a ira de uma grande rede de televisão contra três jovens expostas até o último fio do cabelo sem piedade. Pelo jeito não existe dosimetria da pena de quem recebe uma condenação midiática. O pecado das moças de Indaiatuba, uma das cidades mais promissoras do interior de São Paulo e ao lado de Campinas, foi pedir o reembolso à prefeitura de parte dos custos de um curso de medicina por serem de classe média. Erraram feio. Merecem ser punidas e devolver ao erário público municipal os valores recebidos indevidamente. A questão, porém, foi a Globo dedicar um bloco inteiro do Fantástico para o caso, invadindo as redes sociais de cada uma, expondo suas imagens em viagens e momentos íntimos e até expondo os pais sem dor e piedade.
Um verdadeiro linchamento público que criará sequelas permanentes para os tres seres humanos que cometeram um pecado. Antes de espertas ou malandras, são pessoas. Possuem famílias, possuem círculo de amigos e estão na área de saúde. Mataram, fizeram assalto a mão armada, elas faziam parte de um assalto epidêmico aos cofres públicos?
O que se questiona é o exagero ou falta de assunto. O que as três fizeram mereceriam tanto sensacionalismo e expor imagens pessoais em uma rede nacional de televisão, em um programa de horário nobre, no qual um comercial de 30 segundos custa duas vezes mais do que todo o prejuízo que deram aos cofres municipais? Vale a exposição de vídeos e imagens privadas das redes sociais ou o uso de drones para sobrevoar as residências e demonstrar que são de classe média?
A cidade de Indaiatuba e o seu prefeito Dr. Custódio Tavares também foram expostos. São centenas de reembolsos concedidos irregularmente? Não. Casos pontuais que estão sendo revistos. A sensação é a de um elefante pisando em um mosquito. Até parece vingança pessoal de alguém da prefeitura contra a cidade ou alguma das beneficiadas.
Na pandemia, quantos auxílios irregulares foram concedidos a quem não precisava, como ocorreu com esposas de políticos, como um caso de vereador petropolitano? Milhões são roubados dos cofres públicos e não merecem tanto espaço. Está na hora de existir uma dosimetria para a pena nas condenações midiáticas. Este caso de Indaiatuba demonstra que o bom senso não faz parte do cardápio da Globo. Se fosse um traficante ou estuprador linchado pela população, a Globo sairia em defesa da vítima. Pelo jeito só eles detém a concessão para linchamento midiático sem colocar um olhar humano no episódio.