Por: Cláudio Magnavita

Coluna Magnavita | Novo presidente promove primeiras demissões na Firjan(ja), mas mantém esposa em cargo gerencial

Luiz Cesio Caetano, presidente da Firjan | Foto: Divulgação/Paula Johas

Depois de desagradar todos os integrantes do primeiro escalão do Governo do Estado, que estavam presentes no último almoço empresarial do LIDE RJ, com uma palestra terceirizada, na qual o seu preposto traçou um assustador quadro sobre a realidade fluminense, o novo presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, demonstrou não ter o mínimo preparo para aguentar críticas. O registro feito na coluna gerou uma reação desproporcional do novo dirigente empresarial, que demonstra não compreender a função pública que exerce e as possíveis críticas que pode receber por sua atuação pública.

Luiz Caetano, entretido pela degustação do prato que começou a ser servido enquanto estava no púlpito, fez a introdução, repassou a palestra ao colaborador e retornou à mesa a tempo de provar o delicioso filé da cozinha do Fairmont, deixando seu assecla massacrando a imagem do Rio para possíveis investidores.

Depois de ter ocupado um papel secundário na gestão anterior, o executivo da Refinaria Nacional de Sal S/A, a Sal Cisne, Luiz Césio Caetano foi escolhido para assumir a entidade. Foi só sentar na cadeira para apresentar uma postura bem diferente da fase de transição. Ser presidente da Firjan não lhe garante imunidade a críticas, sejam internas ou externas. Neste seu voo de Cisne, ele está redesenhando a fábula do patinho feio que vira Cisne. O que assistimos é um Cisne virando patinho feio por atitudes mesquinhas como a demissão que promoveu afastando hoje antigos e valorosos colaboradores.

Foram demitidos da Firjan nesta segunda-feira: o ex-embaixador Frederico Araújo, que ocupou as embaixadas do Brasil em Santiago, Austrália, Bolívia; a Ex-chefe cerimonial do Presidente Fernando Henrique Cardoso,Beatriz de Vicq, que ocupava a chefia gabinete da presidência; Ângela Cunha, assessora de Relações com Associados; e Tatiana Ávila, assessora internacional da entidade.Todos afastados de uma só vez. Perde a entidade colaboradores de peso e depois se dizem incomodados quando a Imprensa registra que a Firjan se apequenou.

Sobre a matéria publicada pelo Correio da Manhã, Luiz Caetano emitiu o seguinte comentário, esquecendo de lembrar que o jornal estava presente ao evento no qual ele trocou a chance de fazer uma palestra para uma plateia repleta de empresários e preferiu retornar à mesa principal para degustar o delicioso almoço. Mesa que tinha a presença atenta da direção deste Jornal:

"Prezados.Diante desta matéria danosa à Firjan de 26 último no Correio da Manhã, com ataques grosseiros, desrespeitosos, falaciosos e facciosos àInstituição, a Colaborador e ao Presidente, e após reflexões dos acontecimentos preteritos e recentes, e ainda as investidas contra a Firjan e a nossa gestão, determinei hoje medidas para limitar estas ações e influências lesivas ao ambiente da Casa. Medidas que entendi minimamente e absolutamente necessárias neste sentido. Atte. Luiz Césio Caetano".

Ele rebate afirmando: "ataques grosseiros, desrespeitosos, falaciosos e facciosos a Instituição". Neste ponto foi verdadeiro. Não classificou como inverídicos. Já que toda a sua rápida passagem pelo púlpito, retornando ao almoço, foi gravada, assim como as telas exibidas com ataques ao Rio pelo seu preposto.

Curiosa vai ser assistir a reação dos acionistas da Refinaria Nacional de Sal S/A, a Sal Cisne, em ver o seu colaborador implodindo a entidade que passou a dirigir de forma voluntária, já que o cargo não é remunerado. O que seria um momento de orgulho para a companhia, vai virar uma encenação grotesca de "A Morte do Cisne", o famoso solo de balé coreografado por Mikhail Fokine para a bailarina Anna Pavlova em 1905, com a decadência precoce de uma gestão que ficou velha rapidamente.

FIRJANJA

O tímido Luiz Césio Caetano manteve a sua renda familiar ligada aos cofres da entidade que preside. A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro tem a sua versão local da primeira-dama, Janja da Silva. Apesar de recomendações, ele não incluiu na lista de demitidos a sua esposa Kátia Turra Matouk, que também tem o sobrenome Caetano Alves.

Ela está a pleno vapor no papel de primeira-dama, inclusive se contrapondo a vice-presidentes e diretores. Ela teria participado ativamente da elaboração das listas de demitidos e desta primeira leva. Um clima de FIRJANJA, que contraria qualquer regra de compliance. Ela ocupa o cargo de Gerente Firjan II. Está na Federação há 26 anos e há 10 casada com Caetano.

Ouvido pela coluna, um especialista de compliance considera que não é de bom tom que o presidente de uma entidade, que vive de contribuições associativas e de verbas oriundas do sistema S, tenha o seu cônjuge em função remunerada pela entidade. O correto seria uma licença sem vencimentos para a primeira-dama, enquanto durasse o mandato do marido, que pelo andar da carruagem deverá ser de um só período de gestão.