Ritmo suspeito de investigações
O fundamental é impedir que as polícias, o MP e o Judiciário possam administrar o andamento de investigações como guardas de trânsito capazes de definir a velocidade com que veículos poderão se mover.
Os diferentes ritmos de investigações capazes de influenciar as eleições permitem ao menos a suspeita de que nem todas caminham de um jeito não influenciado por interesses políticos.
Depois do abalo gerado na campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência e das suspeitas relacionadas ao também senador Jaques Wagner (PT-BA), o caso Master parece ter tomado o tal de chá de sumiço tão citado por nossos avós.
Nunca mais se falou na história do suposto financiamento do filme "Dark Horse" que teria gerado o pedido de grana feito por Flávio ao amigãozão Daniel Vorcaro.
Citados em apurações relacionadas ao escândalo do banco, os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, também deixaram de ser mencionados, as fontes parecem ter secado.
Como no velho mote publicitário, o nome do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também parece ter sido beneficiado pelos milagrosos efeitos de um doril capaz de combater ataques da Polícia Federal. O relator do caso Master é o ministro André Mendonça.
Em compensação, houve uma sequência de atos relacionados a investigações sobre Fábio Luís Lula da Silva. Vazamentos indicam que é preciso apurar o suposto de tráfico de influência que teria sido praticado pelo primogênito do presidente Lula (PT), mas, até agora, sequer ficou evidenciado o motivo de os inquéritos terem sido autorizados pelo STF e não na primeira instância. Filho de presidente não tem prerrogativa de foro.
Seria absurdo criar uma espécie de defeso eleitoral que impedisse investigações de políticos e afins em anos em que somos chamados às urnas. Melhor investigar do que fazer como o Ministério Público do Rio que, em 2018, demorou meses para iniciar a apuração de movimentações financeiras suspeitas no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro.
Naquele mesmo ano, a Polícia Federal teria adiado uma operação contra Fabrício Queiróz, amigãozão de Jair Bolsonaro, para que este não fosse prejudicado às vésperas do segundo turno da disputa pela Presidência. A acusação partiu de Paulo Marinho, que seria eleito suplente de Flávio no Senado.
O fundamental é impedir que as polícias, o MP e o Judiciário possam administrar o andamento de investigações como guardas de trânsito capazes de definir a velocidade com que veículos poderão se mover.
Não é razoável também dar a integrantes dessas instituições o direito de buscar uma espécie de equilíbrio na liberação de pancadas, como quem distribui ingredientes em uma pizza. Golpes têm que corresponder ao avanço de investigações.
É complicado falar em equilíbrio institucional em um país em que ministro do STF atua para pacificar relações entre dois políticos que, no limite, podem ser alvos da corte, como os presidentes da República e do Senado. Mas não custa tentar, até para evitar que eleições, assim como casamentos de festas juninas, acabem decididas pelo delegado de polícia.