Dragão do BRB queima cidadãos
O réptil do DF foi cresceu ninado, embalado e alimentado pelas operações feitas pelo BRB para fortalecer o bando de monstros cevado pelos criadores liderados por Daniel Vorcaro no seu Banco Master.
Devotos ou não de São Jorge, moradores da capital federal têm que enfrentar um dragão, o buraco de R$ 5 bilhões — cerca de R$ 1,6 mil para cada cidadão. É o valor que o governo distrital terá que desembolsar para salvar o BRB e manter sua participação societária no banco.
Para arrumar esse dinheiro, o governo vai ter que dar cambalhotas, pedir empréstimo, ofertar no mercado a grana que tem a receber de devedores. Mas a população é que terá os bolsos queimados pelas chamas do dragão cultivado na administração do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB).
O réptil do DF foi ninado, embalado e alimentado pelas operações feitas pelo BRB para fortalecer o bando de monstros cevado por criadores liderados por Daniel Vorcaro no seu Banco Master.
Os monstrinhos de Vorcaro enriqueceram muita gente, foram transformados em contratos generosos, em caronas aéreas, em projetos de lei, em imóveis luxosos para o presidente do BRB. Um dos bichos virou o tal do dragão que cresceu escondido, maquiado pelos mecanismos que queimam dinheiro público, e que, agora assola o contribuinte do DF.
A conta do descalabro também vai sobrar para os funcionários públicos do DF, que vão ter que entrar na vaquinha para salvar BRB. Afinal, o Iprev (Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal) tem 18,73% das ações ordinárias do banco (o governo é proprietário de 56,48%; as 13,55% restantes são da Associação dos Funcionários Aposentados e Pensionistas do BRB.
O BRB é um dos sobreviventes da ninhada de dragões formada por bancos ligados a governos estaduais que, na prática, funcionavam como financiadores dessas administrações. Era mole para um governador rolar dívidas quando ele mandava num banco, muitos quebraram, e acabaram sendo extintos, privados ou federalizados e, em seguida, privatizados. O Banerj, do Estado do Rio, foi transformado em dois: a parte podre ficou com o governo; a boa foi vendida para o Itaú.
O Master nasceu e cresceu apoiado em relações com os três poderes da República e em dois pilares movediços: o Fundo Garantidor de Créditos e entes federados: estados, municípios e o DF.
Espécie de seguro mantido pelos próprios bancos, o FGC servia de aval para pequenos e médios investidores que investiam até R$ 250 mil em papéis do Master.
Já estruturas públicas adoravam aplicar dinheiro alheio — do contribuinte, em especial, dos servidores — na organização de Vorcaro.
O esquema era tão evidente, absurdo e arriscado que não ouvimos falar de grandes empresas que tenham sido prejudicadas pela quebra do Master; elas sabiam que não poderiam botar dinheiro naquela fantasia.
É preciso dar nome aos dragões: os prejuízos não são do DF, ou do Amapá, ou do Estado do Rio, mas de pessoas físicas, especialmente aposentados e pensionistas que vão rachar a conta. A eventual entrada do governo federal apenas democratizará o prejuízo.
É preciso investigar e punir todos os responsáveis pela quebradeira; e não vale apenas prendê-los. Eles têm que pagar pelo prejuízo de causaram. São Jorge vai ter que se desdobrar, talvez haja falta de lanças e de cavalos para dar conta de tantos dragões, mas isso é fundamental.