CORREIO BASTIDORES: Janja chegou ao Sambódromo pronta para desfilar

Mulher do presidente Lula chegou ao Sambódromo às 20h45 deste domingo (15), mas desistiu de desfilar na Acadêmicos de Niterói.

Por Fernando Molica

Chegada de Janja da Silva no Sambódromo do Rio, para desfilar neste domingo (15fev).

A sequência de fatos ocorridos na noite de domingo indica que Janja da Silva, mulher do presidente Lula, desistiu de desfilar pouco antes da apresentação da Acadêmicos  de Niterói.

O Correio Bastidores registrou sua chegada ao Sambódromo, ocorrida às 20h45. Protegida por policiais federais e esperada por integrantes da escola de samba, ela desceu de um carro preto que parou atrás do primeiro recuo de bateria, no Setor 2, na altura do início da pista.

A presença dela no último carro alegórico estava prevista na página 24 do "Abre-alas", publicação oficial da Liesa (organizadora dos desfiles) e que serve de guia para os julgadores: "Composições: Janja da Silva, primeira-dama do Brasil, e outros convidados do presidente Lula".  No carro havia diversos artistas, o lugar que seria de Janja foi ocupado pela cantora Fafá de Belém.

O camarote da Prefeitura do Rio que ela viria a ocupar ao lado de Lula fica no outro extremo da pista, e no lado ímpar (setor 11). 

O ir e vir de pessoas credenciadas chegou a ser interrompido para que o desembarque fosse permitido.  Quem estava bem ao lado do local onde o carro iria parar foi avisado de que não poderia fotografar ou filmar a chegada de Janja.

Ao chegar, ela usava o mesmo vestido de cor prata que usaria no camarote, parcialmente coberto por um paletó azul. Recebida por representantes da escola de samba, ela percorreu um corredor que leva à entrada da pista. Depois, só reapaceria no camarote, ao lado de Lula.

Nota divulgada pelo Palácio do Planalto afirmou que Janja desistiu de desfilar "diante da possibilidade de perseguição à escola e ao presidente Lula". Isto, apesar de, segundo o texto, haver "segurança jurídica" para a apresentação.

A coluna apurou que, além do temor de ações na Justiça Eleitoral, o Planalto temia vaias para Janja e alguma reação negativa de evangélicos, que não gostariam de ver a mulher do presidente em um desfile de Carnaval.

Uma das alas da escola, chamada de "Neoconservadores em conserva", trazia pessoas fantasiadas em latas de ervilhas em conserva que representavam, entre outros, militares e evangélicos (estes, carregavam um adereço de mão que simbolizava a Bíblia).