Por: Fernando Molica

Correio Nacional | Ex-delegado: combate à milícia precisa ser específico

Cláudio Ferraz prendeu mais de 600 milicianos | Foto: Reprodução/Facebook

Delegado responsável pelas principais ações de combate a milicianos no Rio, Cláudio Ferraz afirma que esses grupos não podem ser combatidos com policiamento ostensivo, mas com investigações integradas e específicas. "É preciso ter especialização, participação do Ministério Público, uso de ferramentas para cruzamento de dados. A Polícia Civil precisa de núcleos exclusivos para tratar do crime organizado", avalia.

Ferraz diz que a situação hoje é ainda mais grave: prevê que a próxima ação da milícia terá consequências ainda piores que a desta semana. Aposentado, ele chefiou a Delegacia de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado entre 2007 e 2011. Depois, foi para a prefeitura fiscalizar vans, um dos braços milicianos.

 

Vale tudo

Ele não se diz surpreso com o fato de grupos milicianos terem passado a atuar também no tráfico de drogas. "Eles ampliaram seus negócios. Cobram taxas sobre todas as atividades, legais ou ilegais, praticadas nas áreas que dominam. Pra respirar vai ter que pagar", frisa.

Autonomia

Ferraz diz que seu trabalho só possível pelo fato de o então governador Sérgio Cabral ter dado autonomia para o trabalho policial. Segundo ele, cerca de 600 milicianos foram presos durante sua passagem pela Draco, entre eles, veradores e um deputado estadual.

O temor do crescimento político dos milicianos

Ônibus queimados por milicianos no Rio

Na avaliação de Ferraz, a decisão de Cabral de garantir o trabalho da polícia teve também um viés político — a certeza de que, sem repressão, a milícia acabaria ocupando os espaços institucionais no estado. Ressalta que candidatos milicianos são muito bem votados nas áreas que dominam.

"Eles formam o que é internacionalmente definido como máfia. São organizados em torno de famílias e de policiais, têm hierarquia. E a máfia sempre procura entrar no poder", destaca.

Para o delegado, praticamente nada foi feito para quebrar os esquemas de finaciamento desses grupos, tarefa que considera fundamental.

Pressa

Nas reuniões que teve em Brasília, o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), pediu pressa em mudanças para tornar a legislação criminal mais dura. Disse ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) que não dá pra esperar uma revisão ampla do Código Penal.

Militares

O governador ouviu do ministro da Defesa, José Múcio, que as Forças Armadas poderão atuar em tarefas específicas no estado. Ressalvou, porém, que essa participação dos militares terá que ser integrada a outras medidas que o governo federal decidir tomar.

Voto contra

Líder do PL na Câmara dos Deputados, Altineu Côrtes (RJ) afirma que os senadores do partido votarão contra ao projeto da reforma tributária. Isto, segundo ele, pela avaliação de que as mudanças vao gerar aumentos de impostos. A votação deverá ocorrer no próximo mês.

Maioria

Ao apoiar a decisão de Nunes Marques contra a quebra de sigilo de Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária, Edson Fachin praticamente definiu a posição da 2a Turma do STF. André Mendonça também deverá votar contra a determinação da CPI do Golpe.

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