Voto cruzado no Ceará torna pífio o apoio de Flávio a Ciro. Lula mantém vantagem
16 de julho de 202621:52Rafael Oliveira (Interino)
Eventual vitória de Ciro no CE não retira votos de Lula diretamenteCrédito: Marcelo Casal - Agência Brasil
Michelle Bolsonaro está certa em exigir fidelidade aos quadros históricos da direita no Ceará, aleijados pelo apoio a Ciro Gomes. O desgaste gerado com a insatisfação por conta do embate com a ex-primeira-dama é maior do que os resultados que podem ser obtidos com o apoio a Ciro. Uma eventual vitória de Ciro Gomes ao governo do Ceará nas eleições de 2026, não retira votos de Lula de forma direta na disputa presidencial, pois as pesquisas demonstram um cenário consolidado de "voto cruzado" no estado.
De acordo com o levantamento do Real Time Big Data, Lula mantém uma liderança isolada com 66% das intenções de voto no Ceará para a Presidência, abrindo 40 pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro (26%). O eleitor cearense historicamente separa o voto para o Palácio do Planalto da escolha para o governo estadual.
Empate técnico com clima de Caim e Abel
Ciro e Cid Gomes: Elmano de Freitas foi o pivôCrédito: Waldemir Barreto/Agência Senado
A disputa pelo governo do Ceará segue em empate técnico acirrado entre o atual governador Elmano de Freitas (PT), que pontua com 44%, e Ciro Gomes (PSDB), que registra 40%. Um componente familiar separa os dois. Elmano de Freitas foi o pivô central do rompimento entre Ciro e Cid Gomes, funcionando como o estopim de uma crise política e familiar que se estende até as eleições de 2026.
Voto no Ciro em Lula
A estabilidade dos números de Lula (sempre na faixa acima de 60% no estado), em contraste com o crescimento de Ciro Gomes, mostra que uma parcela significativa de eleitores vota em Lula para presidente e Ciro Gomes para governador.
Sem reflexo na nacional
Portanto, numericamente, o impacto de uma vitória de Ciro Gomes sobre a votação de Lula no Ceará tende a ser nulo ou irrelevante, já que a ampla vantagem do petista na disputa presidencial independe do desempenho do PT na disputa local.
Ônus e sem bônus
Não valeu a pena para a imagem da família Bolsonaro, pois a briga gerou uma grave crise pública interna e o enfraquecimento do partido PL. Por outro lado, do ponto de vista pragmático regional, isolou o PT no Ceará.
Palanque vetado
Para piorar a situação de Flávio, o próprio Ciro Gomes afirmou publicamente que rejeita qualquer associação com o bolsonarismo. Ele declarou que não quer o apoio de Flávio formalizado em palanque, pois as críticas do passado seriam usadas pelo PT.
Difícil de esquecer
Os ataques históricos de Ciro Gomes à família Bolsonaro foram pesados, focados em acusações de corrupção e na gestão da pandemia, sendo resgatados recentemente por Michelle Bolsonaro para justificar sua revolta com a aliança do PL no Ceará.
Chamou de assassino
Durante o auge da pandemia de Covid-19, Ciro afirmou publicamente que as pessoas deveriam repetir em voz alta que "Bolsonaro era assassino", por sua conduta na compra de vacinas e gestão de insumos médicos. Michelle o acusa de ser o criador dessa narrativa e nunca perdoou Ciro.
"Bando de ladrões"
Ciro costumava repetir que os filhos de Bolsonaro formavam um "bando de ladrões e corruptos". Ele frequentemente atacava Flávio Bolsonaro citando o caso Queiroz, zombando das liminares judiciais obtidas pelo senador para travar as investigações.
"Ex‑esposas ladras"
Um dos ataques foi direcionado à própria Michelle, Ciro estendeu as acusações de corrupção às cônjuges do ex-presidente, declarando em vídeos que "todas as esposas de Bolsonaro seriam ladras" e que o presidente havia "corrompido seus filhos e suas mulheres". Ele também explorava politicamente os depósitos de Fabrício Queiroz na conta de Michelle.
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