BRASILIANAS | GDF anuncia que vai destravar obra de estação de metrô parada há 19 anos
Licitação para concluir a Estação Onoyama é publicada a quatro dias do segundo turno e reforça mobilidade no centro do debate eleitoral -- Planejamento de mobilidade transformou estrutura inacabada em peça central da integração entre metrô, ônibus, bicicletas e transporte individual
A quatro dias do segundo turno das eleições no Distrito Federal, quando mobilidade urbana, trânsito e transporte público se consolidaram entre os temas mais cobrados durante a campanha, o Governo do Distrito Federal anunciou mais uma medida voltada ao setor.
Um dia após o início da reversão de pistas na Ponte JK e na Avenida JK, intervenção criada para aliviar um dos principais gargalos viários da região Leste, o Metrô-DF publicou o edital para concluir a Estação Onoyama, em Taguatinga.
O anúncio coloca fim a uma espera que atravessa quase duas décadas. A história da estação começou em 1998, quando foram implantadas as primeiras estruturas de contenção. O projeto previa a construção parcial dos elementos necessários à operação ferroviária, deixando a conclusão da estação para uma etapa posterior. Parte das obras avançou nos anos seguintes, incluindo salas técnicas e subestações que hoje já integram o sistema metroviário.
Apesar disso, a estação jamais entrou em operação para os passageiros. Desde abril de 2007, quando o trecho entre Ceilândia Sul e Praça do Relógio passou a funcionar comercialmente, os trens cruzam diariamente o interior da estrutura sem realizar embarques e desembarques. As intervenções seguiram até 2008, mas a obra acabou interrompida.
Edital não traz custos previstos
O edital lançado pelo Metrô-DF adota o modelo de contratação integrada. A empresa ou consórcio vencedor ficará responsável pelos projetos básico e executivo, bem como pela execução das obras civis, arquitetura, urbanização, instalações e sistemas operacionais necessários ao funcionamento da estação.
A abertura das propostas está marcada para 30 de dezembro e o critério de escolha será o menor preço global. O orçamento estimado permanecerá sob sigilo até a fase de julgamento, conforme prevê a Lei das Estatais.
O prazo previsto para execução é de 42 meses, equivalente a três anos e seis meses após a emissão da ordem de serviço. Já a vigência contratual será de 45 meses, ou três anos e nove meses.
Localização da estação é estratégica
A localização da futura estação amplia sua relevância para além da mobilidade ferroviária. Onoyama está situada entre as estações Centro Metropolitano e Praça do Relógio, em uma área de forte concentração de equipamentos públicos e de serviços.
A curta distância da estação encontra-se o Centrad, o novo Centro Administrativo do GDF, que reúne parte significativa da estrutura burocrática do Executivo local. A abertura de Onoyama cria mais um ponto de proximidade e apoio para o deslocamento de servidores e cidadãos que utilizam o complexo administrativo.
A estação também ficará ao lado do Estádio Elmo Serejo Farias, o Serejão, equipamento esportivo que há anos aguarda intervenções estruturais mais amplas, e próxima à rodoviária atualmente utilizada em Taguatinga, instalada de forma provisória.
Nos últimos anos, sucessivos projetos discutiram a transformação do terminal em uma estrutura definitiva. A entrada em operação da estação pode contribuir para fortalecer a integração dos diferentes modais de transporte concentrados naquela região.
A sequência de anúncios na área de mobilidade ocorre justamente na semana decisiva da disputa eleitoral. Primeiro veio a reversão das pistas da JK. Agora, a retomada de uma obra que atravessou governos, mudanças de planejamento e quase duas décadas sem atender passageiros.
O simbolismo político do anúncio é proporcional ao tamanho do atraso que o projeto tenta finalmente superar.
Muito além de uma parada: por que a Estação Onoyama é considerada estratégica para o DF
A conclusão da Estação Onoyama não representa apenas a entrega de uma obra que permaneceu inacabada durante anos. Nos principais instrumentos de planejamento da mobilidade do Distrito Federal, a estrutura aparece como uma das peças mais importantes para ampliar a integração entre diferentes modais de transporte na região Oeste da capital.
Tanto o Plano de Desenvolvimento do Transporte Público sobre Trilhos do Distrito Federal (PDTT) quanto o Plano Diretor de Transporte Urbano e Mobilidade (PDTU) incorporaram a estação como elemento estratégico para fortalecer a rede de transporte de alta capacidade.
Nesses documentos, Onoyama deixa de ser vista apenas como uma parada intermediária da Linha 1 do metrô e passa a assumir a função de articuladora de fluxos urbanos.
O projeto prevê uma estrutura integrada ao sistema viário da Avenida Elmo Serejo e ao transporte coletivo da região. Estão previstas baias exclusivas para ônibus, áreas destinadas a embarque e desembarque rápido de passageiros, estacionamento para veículos particulares e bicicletário. A proposta busca permitir que diferentes modos de deslocamento conversem entre si em um único espaço.
Outro elemento importante é a acessibilidade. O planejamento contempla a construção de uma passagem subterrânea e de uma passarela para pedestres, facilitando o acesso de moradores e usuários oriundos de áreas próximas, especialmente das regiões da QNL e da QSE. A intenção é reduzir barreiras físicas e aproximar bairros densamente povoados da rede metroviária.
A expectativa oficial é de que a abertura da estação acrescente cerca de 11 mil passageiros por dia ao sistema. Para os formuladores do planejamento urbano, esse aumento ajuda a consolidar a Linha 1 como eixo estruturador da mobilidade na região mais populosa do Distrito Federal.
Estação fica próxima ao Centrad
A futura estação terá aproximadamente 2.300 metros quadrados de área construída distribuídos entre térreo, mezanino, plataforma e porão de cabos, dentro de um terreno de quase 16 mil metros quadrados. A infraestrutura prevista busca transformar o espaço em um ponto de conexão capaz de receber usuários do metrô, passageiros de ônibus, ciclistas e motoristas.
O ganho potencial também dialoga com outros equipamentos urbanos localizados no entorno. Além da proximidade com o Centrad, a estação ficará próxima ao Serejão e à rodoviária de Taguatinga, ampliando as possibilidades futuras de integração de serviços públicos, atividades esportivas e deslocamentos metropolitanos.
Por isso, nos documentos de planejamento elaborados ao longo da última década, Onoyama deixou de ser tratada apenas como uma obra pendente e passou a figurar como parte de uma estratégia mais ampla de reorganização da mobilidade regional.