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BRASILIANAS | Varejo do DF supera média nacional e anima comércio para a Black Friday e o Natal

Crescimento acumulado de 7,6% reforça confiança do setor para o fechamento de 2026 -- Artigos de uso pessoal lideram crescimento enquanto vestuário e informática registram queda

Por por William França

Os consumidores têm feito compras relacionadas ao dia a dia

O comércio varejista do Distrito Federal voltou a acelerar em agosto e consolidou um dos melhores desempenhos do país em 2026. Dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o volume de vendas acumulou crescimento de 7,6% entre janeiro e agosto na comparação com o mesmo período do ano passado.

Somente em agosto, o setor avançou 1,2% em relação a julho, interrompendo dois meses seguidos de retração.

O resultado ficou acima da média nacional, que registrou alta de apenas 0,1% no período. Na comparação com agosto de 2025, o avanço do varejo brasiliense também foi de 7,6%, reforçando a consistência da recuperação observada ao longo do ano.

A melhora nos indicadores ocorre justamente às vésperas do período mais importante para o comércio. Black Friday e Natal concentram parcela significativa do faturamento anual de diversos segmentos e costumam impulsionar contratações temporárias, aumento da circulação de consumidores e expansão das vendas nos centros comerciais da capital.

Para o presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, os números demonstram a capacidade de reação do setor "mesmo diante de um cenário econômico ainda marcado por desafios relacionados ao crédito e ao orçamento das famílias".

Segundo ele, o desempenho acima da média nacional fortalece a expectativa de um encerramento positivo para 2026. O dirigente avalia que o varejo chega aos últimos meses do ano mais preparado para aproveitar o aumento da demanda e transformar o aquecimento do consumo em geração de negócios e oportunidades de trabalho.

Os dados também mostram que a expansão não é pontual. No acumulado dos últimos 12 meses, o comércio varejista do Distrito Federal registra crescimento de 6,4%, sinalizando uma trajetória sustentada de recuperação e maior confiança dos empresários para investir no período de maior movimentação do calendário econômico.

Divulgação/Fecomercio-DF - O presidente da Fecomercio-DF, José Aparecido Freire, alerta para o aumento do número de famílias endividadas

Consumo muda de perfil e revela novas prioridades das famílias do DF

Mais do que confirmar a recuperação do comércio no Distrito Federal, os números do IBGE ajudam a entender como os consumidores brasilienses estão gastando seu dinheiro em 2026.

O levantamento mostra que alguns segmentos avançam em ritmo acelerado, enquanto outros enfrentam dificuldades para recuperar o mesmo dinamismo observado em anos anteriores.

O maior crescimento foi observado no setor de artigos de uso pessoal e doméstico, que registrou alta de 23,5% na comparação com agosto de 2025. O desempenho foi seguido pelos supermercados e estabelecimentos de produtos alimentícios, com avanço de 10,2%, além dos segmentos de medicamentos e perfumaria, que cresceram 6,8%.

Também apresentaram resultados positivos as vendas de livros e papelaria, com expansão de 6,4%, e de móveis e eletrodomésticos, que avançaram 3,5%. O comportamento sugere uma preferência maior por compras associadas ao cotidiano das famílias, ao conforto doméstico e ao consumo considerado essencial.

Em sentido contrário, alguns setores registraram retração. As vendas de tecidos, vestuário e calçados caíram 5,2%, enquanto o segmento de equipamentos de informática e comunicação apresentou redução de 1,3%. Já combustíveis e lubrificantes registraram leve recuo de 0,1%.

A leitura dos números indica uma reorganização das prioridades de consumo em meio a um ambiente econômico que continua exigindo cautela. Mesmo com a recuperação da atividade comercial, parte das famílias permanece mais seletiva nas compras, direcionando recursos para produtos relacionados ao dia a dia e ao bem-estar, enquanto adia gastos considerados menos urgentes.

Para empresários do setor, o cenário ajuda a explicar por que alguns ramos vêm crescendo de forma mais acelerada do que outros. A tendência deverá influenciar as estratégias do comércio para a Black Friday e para o Natal, quando os lojistas apostam em promoções segmentadas para atrair consumidores com perfis de compra cada vez mais específicos.