☰
✕

BRASILIANAS | Após anos de dificuldades, integração entre Samu e Bombeiros no DF ainda segue em discussão

Ministério Público acompanha entraves que ainda dificultam a coordenação do atendimento de urgência no DF -- Projeto busca integrar equipes, sistemas e informações para melhorar a resposta às ocorrências

Por por William França

O processo ainda depende de adaptações operacionais

A integração entre o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) voltou à pauta do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que reuniu representantes do Governo do Distrito Federal (GDF) no Centro Integrado de Operações de Brasília (CIOB), na última sexta-feira (9 de outubro) para discutir os desafios que ainda impedem uma atuação plenamente coordenada entre as duas estruturas de atendimento.

Embora ambos tenham papel central na resposta a emergências médicas, Samu e Bombeiros historicamente desenvolveram suas atividades de forma paralela. Ao longo dos anos, dificuldades de comunicação, regulação e compartilhamento de informações criaram obstáculos para a coordenação das equipes responsáveis pelo atendimento pré-hospitalar.

Na prática, a falta de integração pode gerar situações indesejadas para a rede pública de urgência. Em alguns casos, mais de uma ambulância pode ser enviada para a mesma ocorrência. Em outros, viaturas deixam de ser direcionadas para chamados que necessitam de atendimento imediato. O resultado é o uso inadequado de recursos que já são limitados e que precisam ser distribuídos de forma eficiente para atender a população.

Segundo o MPDFT, a integração entre os dois serviços é considerada estratégica justamente porque permite racionalizar a utilização das ambulâncias, melhorar o fluxo de informações e tornar mais ágil a tomada de decisões em situações críticas. O órgão acompanha o tema desde 2023 e avalia que ainda existem barreiras administrativas, tecnológicas e operacionais que precisam ser superadas.

A discussão também envolve a efetivação de medidas previstas em normas já existentes, mas cuja implementação depende de ajustes institucionais e operacionais. Para o Ministério Público, a superação dessas dificuldades é um passo importante para tornar a resposta às emergências mais eficiente e melhor coordenada em todo o Distrito Federal.

Secom-MT - O processo ainda depende de adaptações operacionais e da consolidação de mecanismos capazes de unificar registros

Emergência 360 tenta unir estruturas que operaram separadas por anos

Uma das principais iniciativas em andamento para enfrentar os problemas históricos de coordenação entre Samu e Corpo de Bombeiros é o projeto Emergência 360, desenvolvido pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF). A proposta foi um dos temas centrais da reunião realizada entre integrantes do MPDFT e representantes do GDF no Centro Integrado de Operações de Brasília.

O projeto nasceu com a missão de criar um modelo de atuação mais integrado entre os órgãos que participam da resposta às urgências e emergências no Distrito Federal. O objetivo é que as decisões sejam tomadas a partir de informações compartilhadas e que os recursos disponíveis possam ser mobilizados de forma mais eficiente.

Um dos passos discutidos pelas autoridades é a ampliação da integração física das equipes dentro do CIOB. A proposta prevê maior proximidade entre os profissionais responsáveis pelo recebimento das chamadas, pela análise das ocorrências e pelo envio das ambulâncias. A avaliação é que essa convivência operacional possa reduzir ruídos de comunicação e facilitar a construção de protocolos comuns de atendimento.

Outro desafio considerado fundamental é a integração tecnológica. Atualmente, a consolidação do projeto depende de mecanismos que permitam ampliar o compartilhamento de dados e a troca de informações entre os sistemas utilizados pelos diversos órgãos envolvidos. A interoperabilidade das plataformas é vista como uma condição necessária para evitar duplicidades e aprimorar o acompanhamento das ocorrências em tempo real.

Apesar dos avanços registrados nos últimos anos, representantes das instituições reconhecem que o processo ainda está em construção. A integração dos registros, a compatibilização dos sistemas e o aperfeiçoamento dos fluxos operacionais seguem entre as etapas que precisam ser concluídas para que a proposta alcance plenamente os resultados esperados.

Por isso, o tema continua sendo acompanhado pelo MPDFT. A expectativa é que a articulação entre os órgãos permita transformar uma discussão antiga em uma política pública capaz de oferecer respostas mais rápidas, coordenadas e eficientes para a população do Distrito Federal.