BRASILIANAS | Os 0,07% que redefiniram o segundo turno no DF e colocaram o BRB no centro da disputa
Resultado apertado reorganiza estratégias de Celina e Grass e traz o tema BRB–Master para o foco eleitoral
A diferença de 0,07% que impediu Celina Leão (PP) de vencer no primeiro turno reorganizou completamente o cenário político do Distrito Federal para o segundo turno.
Agora, a eleição recomeça do zero, com ambos os candidatos tentando capturar o eleitor que alternou preferências entre campos ideológicos distintos.
A candidata Celina, que foi vice de Ibaneis Rocha (MDB), herda também o desgaste acumulado em torno das investigações e questionamentos envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e operações relacionadas ao Banco Master, tema que afastou o governador da disputa eleitoral e que tende a dominar a agenda das próximas semanas.
Com 49,93% dos votos válidos, Celina inicia a nova etapa da campanha sob pressão para responder sobre a governança do BRB, a política de crédito do GDF e os desdobramentos administrativos do caso Master, enquanto tenta nacionalizar o debate ao incorporar o resultado presidencial aqui no DF, onde Flávio Bolsonaro obteve 51,31% contra 38,11% de Lula.
Leandro Grass (PT), ao alcançar 34,47%, ganhou fôlego político e tenta transformar o segundo turno em uma disputa de contraste com o Buriti. O petista deve explorar o desempenho expressivo do PSOL nas eleições proporcionais, que levou Fábio Félix ao topo da votação federal com 224.224 votos e Max Maciel à liderança distrital com 50.100 votos, para sustentar a narrativa de que parte do eleitorado busca renovação e contraponto ao atual arranjo de poder.
O desafio de Grass será conectar esse resultado ao debate majoritário, sem perder de vista que o eleitor brasiliense alternou preferências entre campos ideológicos distintos.
O segundo turno no DF se desenha como uma disputa marcada por agendas assimétricas: Celina terá de enfrentar o tema BRB–Master de forma contínua, enquanto Grass tentará ampliar o alcance (por ora limitado) da votação proporcional da esquerda.
O comportamento do eleitor nas urnas majoritárias e proporcionais indica que o debate será menos sobre ideologia e mais sobre confiança institucional, gestão pública e capacidade de resposta diante de temas sensíveis que ganharam centralidade na reta final da campanha.