BRASILIANAS | DF bate recorde de ocupação e serviços avançados crescem, com mulheres liderando novos registros

PNAD Contínua mostra crescimento de 7% na população ocupada e expansão de atividades de alta qualificação -- Capital federal atinge 47,5% de empreendedores formalizados e se destaca como segundo lugar, no cenário nacional

Por por William França

O destaque do ano foi a forte presença feminina na formalização

O Distrito Federal encerrou 2025 com o maior nível de ocupação da série histórica da PNAD Contínua, atingindo 63,3% das pessoas em idade de trabalhar.

Divulgação/IBGE - Pessoas com 14 anos ou mais ocupadas, no DF

O resultado reflete o aumento de 7% no contingente de ocupados, que chegou a 1,57 milhão de trabalhadores, e confirma uma mudança estrutural no perfil produtivo da capital federal. A expansão ocorre em um contexto de fortalecimento de setores de serviços avançados, que passaram a absorver parcela crescente da força de trabalho ao longo da última década.

Divulgação/IBGE - Quadro comparativo da distribuição de trabalho por atividade econômica no DF

Desde 2012, atividades tradicionais perderam espaço no DF. Construção recuou de 7,4% para 4,7%, indústria geral caiu de 5,6% para 3,7% e serviços domésticos passaram de 6,7% para 4,7%.

Em paralelo, cresceram os grupamentos ligados à administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, além de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas.

Cada um desses segmentos avançou 3,1 pontos percentuais no período, consolidando a predominância de atividades de maior qualificação e forte presença institucional.

Em 2025, o grupamento que reúne administração pública, educação e saúde — públicas e privadas — permaneceu como o maior empregador, com 29,6% da força de trabalho. Em segundo lugar, atividades financeiras, profissionais e administrativas responderam por 24,5% dos ocupados.

Divulgação/IBGE - Nível de ocupação das pessoas no DF

A combinação desses fatores reforça o perfil de economia de serviços especializados no DF, marcada por alta escolaridade média, forte presença de atividades reguladas e crescente demanda por profissionais qualificados.

Secretaria de Trabalho e Emprego do DF - As mulheres avançam de forma mais intensa na estruturação de negócios e na adoção de práticas formais, diz IBGE


Mulheres impulsionam avanço da formalização e levam DF ao recorde de empreendedores com CNPJ

A formalização das atividades empreendedoras avançou de forma expressiva no Distrito Federal em 2025, segundo a PNAD Contínua. O levantamento mostra que 47,5% dos empregadores e trabalhadores por conta própria tinham registro no CNPJ, o maior percentual da série histórica e o segundo mais elevado entre as unidades da federação, atrás apenas de Santa Catarina.

O DF registrou 354 mil pessoas ocupadas nessas categorias, número que, apesar de ter caído 2,2% em relação a 2024, revela maior adesão a práticas formais de organização produtiva.

Divulgação/IBGE - Percentual de pessoas ocupadas como empregador ou por conta própria no DF

O destaque do ano foi a participação feminina. Entre as empregadoras, 92,9% tinham empreendimento registrado, superando os 88,5% observados entre os homens. No grupo de trabalhadores por conta própria, 39,2% das mulheres possuíam CNPJ, frente a 35,4% dos homens.

Os dados indicam que as mulheres avançam de forma mais intensa na estruturação de negócios, adotando modelos formais de operação e ampliando sua presença em segmentos que exigem maior regularização.

A diferença entre empregadores e conta própria permanece significativa. Enquanto 90% dos empregadores tinham CNPJ, apenas 36,8% dos trabalhadores por conta própria estavam formalizados. A distância revela que empreendimentos de maior porte mantêm níveis mais elevados de registro, enquanto atividades individuais avançam de forma gradual.

O cenário reforça a tendência de profissionalização do mercado empreendedor brasiliense e evidencia o papel crescente das mulheres na formalização produtiva.