BRASILIANAS | Anac marca para dezembro leilão do Aeroporto JK, com novas exigências de investimentos, de R$ 1,2 bi

Processo da Anac inclui venda integral da operadora e pacote bilionário para ampliar o terminal -- Leilão do JK terá mais 10 aeroportos e integra aeroportos do programa AmpliAR e busca viabilizar investimentos em áreas deficitárias

Por por William França

O aeroporto JK mantém média de 54 mil passageiros por dia

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) marcou para 17 de dezembro o novo leilão do Aeroporto Internacional de Brasília — Juscelino Kubitscheck, o Aeroporto JK, recolocando o principal terminal do Centro-Oeste no centro da agenda de infraestrutura do país.

O processo será realizado após a repactuação aprovada pelo TCU e prevê a venda integral das ações da Inframerica, atual concessionária controlada pela Corporación América Airports, abrindo espaço para que outra empresa assuma a operação caso apresente proposta mais competitiva.

A disputa ocorrerá em modelo simplificado, com participação obrigatória da operadora atual, e integra a estratégia do Governo Federal de reequilibrar contratos considerados desequilibrados ao longo dos últimos anos.

Terminal receberá investimentos e será modernizado

Em abril, o Ministério de Portos e Aeroportos estimou investimentos de R$ 1,2 bilhão no Aeroporto JK, incluindo a construção de um novo terminal internacional, implantação de um edifício-garagem, abertura de uma nova via de acesso e aquisição de equipamentos de segurança e inspeção de passageiros e bagagens.

A Anac afirma ter revisado o edital após receber mais de 140 contribuições na consulta pública, envolvendo temas como modelagem econômica, governança, indenizações e distribuição de riscos.

A nova concessionária terá de pagar R$ 628,8 milhões, valor sujeito à correção diária pelo CDI, a ser repassado aos acionistas conforme participação societária. A Infraero mantém 49% da concessão.

Pelo cronograma, empresas interessadas poderão pedir esclarecimentos até 23 de outubro e deverão protocolar documentos nos dias 9 e 10 de dezembro.

Segundo a agência, o objetivo é restabelecer a sustentabilidade econômico-financeira da concessão e pactuar novos investimentos que ampliem a capacidade operacional do Aeroporto JK, considerado estratégico para a integração aérea do país.

Aeroporto JK é modelo de pontualidade

Em julho de 2026, o Aeroporto JK registrou sua maior movimentação recente, recebendo cerca de 1,6 milhão de passageiros e operando 10.369 voos, desempenho que o consolidou como o aeroporto de médio porte mais pontual do mundo segundo a consultoria Cirium.

No acumulado de janeiro a julho de 2026, o terminal recebeu 9.976.828 passageiros e operou 87.943 voos, mantendo média diária próxima de 54 mil viajantes.

Historicamente, cerca de 40% dos passageiros utilizam o aeroporto para conexões, reforçando o papel do JK como hub nacional.

O fluxo anual consolidado gira em torno de 15 milhões de passageiros, com picos que já alcançaram mais de 13,8 milhões apenas nos primeiros nove meses de 2025, segundo dados operacionais e levantamentos setoriais.

Bloco do leilão do Aeroporto JK inclui dez terminais regionais de baixa demanda

O leilão que inclui o Aeroporto JK será realizado em conjunto com dez aeroportos regionais distribuídos por Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná e Bahia, todos integrados ao programa federal AmpliAR, criado para modernizar estruturas em regiões com déficit de infraestrutura e baixa atratividade econômica.

O bloco reúne Juína, Cáceres, Tangará da Serra, Alto Paraíso, São Miguel do Araguaia, Bonito, Dourados, Três Lagoas, Ponta Grossa e Barreiras, seguindo a lógica de conceder terminais de menor demanda junto a um ativo de maior porte para ampliar a competição e viabilizar investimentos.

A inclusão desses aeroportos foi estruturada para garantir operação contínua em áreas onde o movimento de passageiros é limitado e onde a capacidade de geração de receita não sustenta contratos isolados.

A Inframerica, que administra o Aeroporto JK, informou que pediu a repactuação devido à queda de movimento registrada nos últimos anos, condição que também afeta parte dos terminais regionais do bloco.

O processo competitivo simplificado obriga a atual concessionária a participar da disputa, mas permite que outra empresa assuma o contrato caso apresente proposta superior.

As interessadas poderão solicitar esclarecimentos sobre o edital até 23 de outubro e deverão entregar documentos preliminares nos dias 9 e 10 de dezembro.

Segundo a Anac, a estratégia busca ampliar a infraestrutura regional, fortalecer a aviação em áreas deficitárias e definir o valor de outorga a ser recebido pelo Poder Público, garantindo que o bloco opere de forma integrada e sustentável.