BRASILIANAS | Resgates de animais silvestres pela PMDF crescem 156% e refletem pressão ambiental no DF

Seca, queimadas, migração e ocupação rural explicam avanço das ocorrências em Brasília

Por por William França

Há uma ampla predominância no resgate de aves (cerca de 75%), seguidas por mamíferos (18%) e répteis (7%)

O Distrito Federal registrou um aumento expressivo nas ocorrências envolvendo animais silvestres em áreas urbanas neste ano. Dados da Polícia Militar Ambiental do DF (PMDF) mostram que, entre janeiro e julho, as equipes realizaram 2.690 resgates, número 156% superior ao contabilizado no mesmo período de 2025, quando foram registrados 1.051 atendimentos.

O salto confirma uma tendência observada pelas forças ambientais: a fauna nativa tem se deslocado com maior frequência para regiões habitadas, impulsionada por mudanças climáticas, perda de habitat e ciclos naturais de reprodução.

A sargento Ana Alves, que atua há 13 anos no Batalhão de Policiamento Ambiental, em entrevista à TV Globo, explica que a estiagem prolongada é um dos fatores mais determinantes.

A redução de água e alimento nos fragmentos de Cerrado força espécies a buscar alternativas em áreas urbanizadas, onde encontram árvores frutíferas, lixeiras e estruturas que oferecem abrigo temporário. O período de seca também coincide com o aumento das queimadas, que desorientam os animais e os levam a fugir do fogo e da fumaça em direção a residências, comércios e rodovias.

Segundo a policial, esse comportamento é comum em mamíferos de pequeno porte, aves e répteis, que acabam expostos a riscos adicionais ao atravessar vias movimentadas ou tentar se proteger em locais inadequados.

Divulgação/PMDF - Sem barreiras físicas ecológicas, espécies territoriais como o lobo-guará e animais em busca de alimento (como os saruês) entram em casas e comércios

A ocupação crescente da zona rural do DF é outro elemento que contribui para o avanço das ocorrências. A expansão de condomínios e loteamentos fragmenta áreas de vegetação contínua, reduzindo corredores ecológicos e aproximando espécies territorialistas de áreas habitadas. Em paralelo, ciclos biológicos também influenciam o aumento dos chamados.

A época de acasalamento intensifica o deslocamento de aves e mamíferos, enquanto o período pós-chuvas favorece o aparecimento de serpentes em quintais e garagens. Entre agosto e setembro, é comum o surgimento de filhotes de urubu em estruturas urbanas, o que demanda atenção das equipes especializadas.

Divulgação/PMDF - Fugindo do fogo e da fumaça, os animais saem desorientados em direção a rodovias e residências

Embora a PMDF concentre a maior parte dos atendimentos, outras instituições também atuam no resgate e na reabilitação da fauna, como o Corpo de Bombeiros Militar do DF, o Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama e o Hospital de Fauna Silvestre. Cada órgão cumpre funções específicas, desde o atendimento emergencial até o acolhimento e a recuperação de animais feridos ou desorientados.

As autoridades reforçam que o cidadão nunca deve tentar capturar, alimentar ou acuar um animal silvestre. A orientação é acionar o 190, que avalia a situação e envia a equipe adequada.

Em casos de risco imediato, como animais feridos por incêndios, o atendimento pode ser feito pelo Corpo de Bombeiros. A recomendação central permanece a mesma: respeitar o animal, manter distância e permitir que as equipes especializadas conduzam o procedimento de forma segura.