BRASILIANAS | Sabatinas do setor produtivo expõem prioridades e pressões sobre candidatos ao Governo do DF
Entidades confrontam candidatos com demandas estruturantes -- Três candidatos, Paula Belmonte (PSDB), Leandro Grass (PT) e José Roberto Arruda (PSD), apresentaram propostas iniciais ao setor
A primeira etapa do projeto Diálogos com o Setor Produtivo reuniu, na sede da Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal (CDL-DF), as sete entidades que representam a espinha dorsal da economia brasiliense — a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF), a Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), a Federação da Agricultura e Pecuária do Distrito Federal (Fape-DF), a própria Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal (CDL-DF), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Distrito Federal (Sebrae-DF), a Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços de Telecomunicações (Fenatac) e a Federação das Associações Comerciais e Industriais do Distrito Federal (Faci-DF) - para confrontar três candidatos ao Governo do Distrito Federal com demandas consideradas decisivas para o futuro da capital.
O encontro, realizado na última segunda-feira (31), abriu uma série de sabatinas que busca aproximar o setor produtivo das propostas apresentadas na campanha e estabelecer um canal direto entre quem formula políticas públicas e quem sustenta a geração de empregos, renda e investimentos no DF.
Logo na abertura, ficou evidente um ponto de convergência entre os três participantes: Paula Belmonte (PSDB), Leandro Grass (PT) e José Roberto Arruda (PSD) reconhecem que o desenvolvimento do DF depende de um setor produtivo forte, articulado e ouvido.
A premissa, repetida em diferentes momentos da sabatina, foi sintetizada por um dos representantes das entidades: “Sem o setor produtivo, não há Brasília funcionando. Não há cidade, não há emprego, não há futuro.”
O projeto, idealizado pelas sete instituições, propõe colocar essa verdade no centro da campanha e, ao fazer isso, força cada candidato a abandonar discursos genéricos e apresentar caminhos concretos para temas como economia criativa, mobilidade, crédito, regularização fundiária, infraestrutura, segurança e ambiente de negócios.
As perguntas foram elaboradas pelas próprias entidades, com base em diagnósticos técnicos e estudos recentes, como o panorama da economia criativa produzido pela Fecomércio-DF em parceria com a Universidade Católica, que mapeou mais de 130 mil agentes criativos e estimou que o setor movimenta cerca de R$ 9 bilhões no DF.
A iniciativa continua nesta quinta-feira (3), na sede da Fecomércio-DF, com a participação de Ricardo Cappelli (PSB), Celina Leão (PP) e Kiko Caputo (Novo), ampliando o diálogo entre setor produtivo e candidatos e consolidando o projeto como uma das agendas mais relevantes da campanha.
Primeira rodada das sabatinas revela três caminhos distintos para o desenvolvimento do DF
A primeira rodada das sabatinas do Diálogos com o Setor Produtivo apresentou três abordagens iniciais para o futuro econômico do Distrito Federal, cada uma refletindo prioridades distintas e diferentes interpretações sobre os desafios da capital.
As apresentações de Paula Belmonte (PSDB), Leandro Grass (PT) e José Roberto Arruda (PSD) foram estruturadas a partir de perguntas técnicas formuladas pelas sete entidades organizadoras, que buscaram respostas objetivas para temas considerados estratégicos.
Paula Belmonte concentrou sua fala na revitalização de áreas centrais, especialmente o Setor Comercial Sul, que classificou como um espaço com potencial para abrigar iniciativas de economia criativa e tecnológica.
A candidata defendeu a ampliação do ensino técnico como instrumento de inclusão produtiva e destacou a necessidade de expandir o metrô para regiões com menor oferta de transporte. “Precisamos transformar esses espaços em oportunidades de desenvolvimento econômico”, afirmou ao comentar o projeto apresentado pela Fecomércio-DF para a região.
Leandro Grass propôs transformar áreas ociosas em polos de ocupação criativa, com incentivos como redução progressiva do IPTU e estímulo a projetos culturais e tecnológicos.
O candidato defendeu uma estratégia de mobilidade centrada no transporte sobre trilhos, que chamou de “revolução dos trilhos”, prevendo novas linhas de trem em um horizonte de 10 a 15 anos e a implantação de um anel viário. Grass também destacou a importância de recuperar a credibilidade do BRB e criar linhas de crédito específicas para diferentes setores produtivos.
José Roberto Arruda apresentou uma agenda voltada à modernização administrativa, com digitalização de serviços, redução de burocracia e reorganização do BRB, que classificou como “na UTI”.
O candidato defendeu a criação do Instituto de Terras Rurais para conduzir a regularização fundiária e destravar investimentos no campo, afirmando que “os agricultores do DF são os únicos do Brasil que não têm escritura”. Arruda também criticou o aumento da estrutura administrativa do governo e defendeu uma gestão mais enxuta e eficiente.