BRASILIANAS | Cidade vira palco sensorial pela Anti Status Quo

Companhia de dança cria percurso sensorial e estreia versão para pessoas com deficiência visual -- Intervenção urbana expande pesquisa Corpo e Cidade e amplia formas de percepção do espaço público

Por por William França

Anti Status Quo Companhia de Dança realiza 12 apresentações gratuitas da obra

A Anti Status Quo Companhia de Dança inicia uma nova temporada de Microutopias Cotidianas Aglutinantes do Lugar, obra que transforma áreas do Centro de Dança do Distrito Federal, do Setor Bancário Norte e do Setor Hoteleiro Norte em percurso sensorial que convida o público a experimentar a cidade como dramaturgia.

Criada em 2019, a intervenção integra a pesquisa Corpo e Cidade, desenvolvida desde 2003 pela diretora e coreógrafa Luciana Lara, dedicada a investigar relações entre corpo, espaço urbano, memória e percepção.

Nesta edição, a companhia estreia uma versão concebida especialmente para pessoas com deficiência visual. Em vez de adaptar o espetáculo original ou recorrer apenas à audiodescrição, a equipe desenvolveu uma nova experiência artística baseada em outras formas de percepção.

Cada participante é acompanhado por um artista-performer que conduz ações individuais ao longo do trajeto, criando uma vivência personalizada e construída a partir de escuta, confiança e atenção ao ambiente urbano.

Fotomontagem/Danilo Fleury - A cidade deixa de ser apenas cenário para tornar-se protagonista em "Microutopias Cotidianas Aglutinantes do Lugar"

A criação contou com consultoria da audiodescritora Kleymara Kopavnick e da consultora cega Denise Melo, que acompanharam o processo e contribuíram para que a pesquisa dialogasse diretamente com especificidades perceptivas desse público.

A temporada, realizada com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), contempla 12 apresentações gratuitas, debates, oficina e residência artística com bailarinos profissionais do DF.

As atividades aprofundam a proposta da companhia de articular criação, formação, intercâmbio e acessibilidade, ampliando o alcance da pesquisa e aproximando diferentes públicos da dança contemporânea.

Após cada sessão destinada a pessoas com deficiência visual, artistas e espectadores participam de debates sobre percepção, acessibilidade e criação artística, reforçando o caráter investigativo da obra.

Fotomontagem/Danilo Fleury - A obra convida o público a percorrer, a pé, um trajeto que parte das imediações do Centro de Dança do Distrito Federal

Serviço

Microutopias Cotidianas Aglutinantes do Lugar

Temporada: de 12 a 29 de agosto de 2026

Ponto de encontro: Centro de Dança do Distrito Federal

Apresentações para o público em geral (acessíveis a pessoas com deficiência auditiva): dias 12, 13, 14, 19, 20, 21, 26, 27 e 28 de agosto, às 9h30. Sessões limitadas a 20 pessoas e com duração de 90 minutos

Versão concebida para pessoas com deficiência visual: dias 15, 22 e 29 de agosto, às 9h30. Sessões limitadas a 10 pessoas e com duração de 60 minutos

Classificação indicativa: livre para todas as pessoas

Debates: dias 15, 22 e 29 de agosto, logo após as apresentações.

Ingressos: gratuitos, com agendamento pelo e-mail microutopiasasq@gmail.com.