BRASILIANAS | Risco de cancelamento do Festival de Cinema de Brasília acende alerta no setor audiovisual

Falta de repasses compromete programação, trabalhadores e calendário dos filmes selecionados -- Organização alerta para impacto sobre filmes e calendário nacional

Por por William França

A pouco mais de um mês do início das atividades, a organização ainda não recebeu os repasses previstos para 2026

A 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro atravessa um dos momentos mais delicados de sua história recente. A pouco mais de um mês do início das atividades, a organização ainda não recebeu os repasses previstos pelo Governo do Distrito Federal para a edição de 2026, situação que compromete a preparação do evento e coloca em risco a manutenção do calendário.

Mais de 50 trabalhadores da produção e da montagem estão sem pagamento desde março, enquanto a equipe mantém apenas tarefas essenciais para não prejudicar os filmes inscritos.

Divulgação - Mais de 50 trabalhadores da produção e da montagem estão sem pagamento desde março, enquanto a equipe mantém apenas atividades mínimas

Segundo Henrique Rocha, diretor-geral de produção, o impasse pode levar ao cancelamento da edição. “Se a gente não conseguir resolver isso esta semana, aí a gente vai estar apenas quatro semanas do festival, e a gente vai ter que pensar no cancelamento mesmo, porque não tem como manter presos esses filmes sem prejudicar toda a cadeia produtiva”, afirma.

A edição reúne cerca de 80 títulos, quase todos lançamentos, e qualquer atraso afeta diretamente o cronograma das produtoras envolvidas, que dependem da janela de exibição para cumprir contratos e estratégias de distribuição.

A Secretaria de Cultura e Economia Criativa afirma que acompanha a situação e mantém diálogo com a organização e com áreas do governo para avaliar as condições orçamentárias e financeiras necessárias à realização do festival.

Até o momento, não há decisão oficial sobre cancelamento ou adiamento. Previsto entre 16 e 22 de setembro, o Festival de Brasília é o mais antigo do país e só deixou de ocorrer em duas edições, durante a ditadura militar.

A indefinição atual reacende o debate sobre a sustentabilidade dos eventos culturais do DF em meio ao ajuste fiscal anunciado pelo governo.