BRASILIANAS | PT adia convenção para aguardar decisão do PDT e tenta atrair Leila do Vôlei

Federação empurra definição da chapa para o limite do prazo -- Movimento busca atrair Leila e reordenar alianças na esquerda -- Candidatura de Michele Bolsonaro ao Senado reacomoda tabuleiro e pressiona federação de esquerda

Por por William França

A senadora Leila do Vôlei (de óculos) e o candidato do PT ao GDF, Leandro Grass (de branco), na convenção da Federação Psol-Rede no último final de semana

A Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) decidiu empurrar sua convenção para esta quarta-feira (5 de agosto), último dia do calendário eleitoral. Oficialmente, o adiamento serve para “consolidar diálogos” e ampliar a frente em torno de Leandro Grass.

Na prática, o movimento tem um objetivo claro: aguardar a deliberação do PDT, que realizou sua convenção na noite desta terça (4) e discutiu se apoiará Grass, Ricardo Cappelli (PSB) ou se permanecerá neutro na disputa pelo Palácio do Buriti.

O PT trabalha intensamente para atrair Leila do Vôlei, candidata à reeleição ao Senado, e tenta construir uma dobradinha com ela. A deputada federal Erika Kokay, declarada como candidata do PT ao Senado, já declarou publicamente que deseja que ambas sejam eleitas juntas, e a presença de Leila na chapa majoritária é vista como peça-chave para reequilibrar o campo progressista.

O adiamento da convenção petista foi calculado para permitir que a decisão do PDT — tomada ontem — influencie diretamente a composição que o PT formaliza hoje.

PSB também pressiona por chapa única

Paralelamente, o PSB intensificou a pressão por unidade. Os ex-governadores Cristovam Buarque e Rodrigo Rollemberg, além do candidato do partido ao GDF, Ricardo Cappelli, defenderam publicamente uma chapa única da esquerda e ofereceram a vice ao PT.

Os petistas, porém, sustentam que os números de Grass nas pesquisas justificam a liderança da chapa. Em levantamentos recentes, Grass aparece consolidado no segundo lugar, enquanto Cappelli figura mais atrás - embora com baixa rejeição, o que é um fator importante em eleições majoritárias.

Kennedy Cruz/Brasil de Fato DF - Convenção do PSB-DF indicou o nome de Ricardo Capelli para concorrer ao GDF

Entrada de Michelle Bolsonaro acirra impasse e expõe disputa pela cabeça de chapa na esquerda

A confirmação da candidatura de Michelle Bolsonaro ao Senado pelo PL, anunciada no sábado passado, reordenou o tabuleiro político e acentuou o impasse no campo progressista.

A entrada da ex-primeira-dama -- que terá também a deputada Bia Kicis na segunda vaga ao Senado -- elevou o risco de fragmentação na esquerda e ampliou o temor de que o grupo não consiga eleger duas vagas simultaneamente.

O movimento reacendeu a disputa entre Erika Kokay (PT) e Leila do Vôlei (PDT), ambas interessadas em compor uma dobradinha que fortaleça o bloco na corrida ao Senado.

O adiamento da convenção petista, agora marcado para hoje, tornou-se instrumento de negociação para tentar recompor a chapa majoritária e ajustar a estratégia ao novo ambiente eleitoral.

PT e PSB disputam a "cabeça-de-chapa"

Nos bastidores, a disputa pela cabeça de chapa se intensificou. O PSB defende que Grass retire a candidatura ao governo e ofereceu publicamente a vice ao PT. À "Brasilianas", Ricardo Cappelli afirmou: “Eu sou candidato a governador. Eu os convidei para vice. Vamos ver o que acontece”.

Questionado se acredita que o PT aceitará a proposta do PDB, Cappelli respondeu: “Espero que sim”. Em declaração adicional, feita na segunda-feira, Cappelli reforçou o argumento: “Nós oferecemos ao PT a indicação da nossa vice na nossa chapa. O PT já tem uma candidatura ao Senado, a candidatura da Erika Kokay. Não é razoável o PT ter duas vagas na chapa majoritária”.

O PT, por sua vez, sustenta que os números de Grass nas pesquisas justificam a liderança da chapa e tenta atrair o próprio PSB para o posto de vice.

A federação tenta equilibrar interesses divergentes enquanto negocia alianças, resolve o impasse no Senado e define sua posição final no limite do prazo.

A entrada de Michelle, a disputa entre PT e PSB e a decisão do PDT criaram um ambiente em que cada movimento altera a configuração da esquerda no DF — e a convenção de hoje deve ser decisiva para o desenho final da chapa.

PDT