BRASILIANAS | PT adia convenção para aguardar decisão do PDT e tenta atrair Leila do Vôlei
Federação empurra definição da chapa para o limite do prazo -- Movimento busca atrair Leila e reordenar alianças na esquerda -- Candidatura de Michele Bolsonaro ao Senado reacomoda tabuleiro e pressiona federação de esquerda
A Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) decidiu empurrar sua convenção para esta quarta-feira (5 de agosto), último dia do calendário eleitoral. Oficialmente, o adiamento serve para “consolidar diálogos” e ampliar a frente em torno de Leandro Grass.
Na prática, o movimento tem um objetivo claro: aguardar a deliberação do PDT, que realizou sua convenção na noite desta terça (4) e discutiu se apoiará Grass, Ricardo Cappelli (PSB) ou se permanecerá neutro na disputa pelo Palácio do Buriti.
O PT trabalha intensamente para atrair Leila do Vôlei, candidata à reeleição ao Senado, e tenta construir uma dobradinha com ela. A deputada federal Erika Kokay, declarada como candidata do PT ao Senado, já declarou publicamente que deseja que ambas sejam eleitas juntas, e a presença de Leila na chapa majoritária é vista como peça-chave para reequilibrar o campo progressista.
O adiamento da convenção petista foi calculado para permitir que a decisão do PDT — tomada ontem — influencie diretamente a composição que o PT formaliza hoje.
PSB também pressiona por chapa única
Paralelamente, o PSB intensificou a pressão por unidade. Os ex-governadores Cristovam Buarque e Rodrigo Rollemberg, além do candidato do partido ao GDF, Ricardo Cappelli, defenderam publicamente uma chapa única da esquerda e ofereceram a vice ao PT.
Os petistas, porém, sustentam que os números de Grass nas pesquisas justificam a liderança da chapa. Em levantamentos recentes, Grass aparece consolidado no segundo lugar, enquanto Cappelli figura mais atrás - embora com baixa rejeição, o que é um fator importante em eleições majoritárias.
Entrada de Michelle Bolsonaro acirra impasse e expõe disputa pela cabeça de chapa na esquerda
A confirmação da candidatura de Michelle Bolsonaro ao Senado pelo PL, anunciada no sábado passado, reordenou o tabuleiro político e acentuou o impasse no campo progressista.
A entrada da ex-primeira-dama -- que terá também a deputada Bia Kicis na segunda vaga ao Senado -- elevou o risco de fragmentação na esquerda e ampliou o temor de que o grupo não consiga eleger duas vagas simultaneamente.
O movimento reacendeu a disputa entre Erika Kokay (PT) e Leila do Vôlei (PDT), ambas interessadas em compor uma dobradinha que fortaleça o bloco na corrida ao Senado.
O adiamento da convenção petista, agora marcado para hoje, tornou-se instrumento de negociação para tentar recompor a chapa majoritária e ajustar a estratégia ao novo ambiente eleitoral.
PT e PSB disputam a "cabeça-de-chapa"
Nos bastidores, a disputa pela cabeça de chapa se intensificou. O PSB defende que Grass retire a candidatura ao governo e ofereceu publicamente a vice ao PT. À "Brasilianas", Ricardo Cappelli afirmou: “Eu sou candidato a governador. Eu os convidei para vice. Vamos ver o que acontece”.
Questionado se acredita que o PT aceitará a proposta do PDB, Cappelli respondeu: “Espero que sim”. Em declaração adicional, feita na segunda-feira, Cappelli reforçou o argumento: “Nós oferecemos ao PT a indicação da nossa vice na nossa chapa. O PT já tem uma candidatura ao Senado, a candidatura da Erika Kokay. Não é razoável o PT ter duas vagas na chapa majoritária”.
O PT, por sua vez, sustenta que os números de Grass nas pesquisas justificam a liderança da chapa e tenta atrair o próprio PSB para o posto de vice.
A federação tenta equilibrar interesses divergentes enquanto negocia alianças, resolve o impasse no Senado e define sua posição final no limite do prazo.
A entrada de Michelle, a disputa entre PT e PSB e a decisão do PDT criaram um ambiente em que cada movimento altera a configuração da esquerda no DF — e a convenção de hoje deve ser decisiva para o desenho final da chapa.