BRASILIANAS | Ainda influente, Roriz faria 90 anos nesta terça; Legado é resgatado por candidatos ao Palácio do Buriti
Trajetória combina obras estruturantes, políticas habitacionais e controvérsias que marcaram quatro mandatos, durante 14 anos à frente do GDF
Joaquim Roriz, que completaria 90 anos hoje, 4 de agosto, permanece como uma das figuras mais influentes da história política do Distrito Federal (DF), mesmo após sua morte em 2018.
Sua trajetória atravessou fases distintas da formação institucional da capital, começando como governador nomeado pelo governo federal e consolidando-se como líder eleito em três disputas consecutivas. Ao todo, governou o DF por 14 anos, período que moldou a geografia urbana, a política habitacional e a relação entre o Executivo e as regiões periféricas.
Roriz chegou ao comando do DF em 1988, indicado pelo então presidente José Sarney em um período em que os governadores não eram escolhidos pelo voto direto.
Na gestão biônica, lançou políticas de remoção de invasões e assentamento de famílias em áreas planejadas, movimento que originou cidades como Samambaia e consolidou uma base eleitoral expressiva nas regiões administrativas recém-criadas. O modelo assistencialista, aliado à regularização fundiária, tornou-se marca de sua atuação e deu origem ao fenômeno sociopolítico conhecido como rorizismo.
Com a autonomia política garantida pela Constituição de 1988, o DF passou a eleger seus governadores. Roriz deixou o cargo em 1990, assumiu brevemente o Ministério da Agricultura e voltou para disputar a primeira eleição direta da capital. Venceu no primeiro turno, apoiado por regiões em expansão e por um discurso voltado às famílias de baixa renda.
No mandato seguinte, ampliou a política habitacional e iniciou obras estruturantes, como o Metrô do Distrito Federal, cuja implementação efetiva ocorreu nos governos seguintes - incluindo o de José Roberto Arruda, que hoje disputa novamente o Palácio do Buriti e cita o metrô como continuidade do projeto iniciado por Roriz.
Após perder o comando do Buriti em 1994, retornou em 1999 ao derrotar Cristovam Buarque em uma eleição marcada pela polarização entre o rorizismo e o petismo.
Em 2002, tornou-se o primeiro governador do DF a ser reeleito, inaugurando seu quarto mandato consecutivo e entregando obras de grande impacto, como a Ponte JK e a modernização da Estrada Parque Indústria e Abastecimento (EPIA).
O período também foi marcado por controvérsias, incluindo questionamentos sobre a expansão urbana acelerada, críticas ao modelo de distribuição de lotes e processos que culminaram na renúncia ao Senado em 2007 para evitar cassação.
Mesmo após sua morte, o sobrenome Roriz mantém peso eleitoral nas regiões periféricas e segue influenciando a disputa atual pelo governo do DF.
Postulantes ao Buriti têm resgatado diferentes aspectos de seu legado: José Roberto Arruda destaca a consolidação do metrô como continuidade das obras iniciadas nos anos 1990, enquanto Ricardo Capelli enfatiza a criação e solidificação das regiões administrativas como marco da descentralização urbana que moldou a identidade das cidades fora do Plano Piloto.
A referência ao ex-governador se tornou elemento recorrente na narrativa política do DF, reforçando a permanência de sua influência quase duas décadas após deixar o cargo e oito anos após sua morte.