BRASILIANAS | Peça solta de vagão teria sido causa de descarrilhamento no Metrô-DF, diz comissão
Denúncia recebida pela CTMU indica que componente do engate atingiu a chave de via no trecho 110–112 Sul -- 'Brasillianas' havia revelado o problema na chave há dois dias -- Ofícios da Comissão de Mobilidade Urbana pedem protocolos, medidas pós-incidente e ações para reforçar a segurança da operação
A Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana (CTMU) da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) recebeu denúncia que aponta uma peça solta do sistema de engate de um vagão como possível causa do descarrilamento de trens do Metrô-DF, registrado na madrugada de terça-feira (28 de julho), entre as estações 110 e 112 Sul.
Imagens enviadas à comissão mostram um componente metálico robusto, de aço, parte do conjunto de acoplamento, que teria se desprendido durante a movimentação de um trem e atingido o aparelho de mudança de via (AMV), equipamento responsável pela transição dos trilhos.
A denúncia é compatível com a linha técnica antecipada por “Brasilianas” dois dias antes, que havia apontado falha no AMV como origem provável do acidente. O impacto da peça sobre o dispositivo de via teria provocado a saída dos trilhos do rodeiro dianteiro do trem 32, segundo relatos recebidos pela comissão.
O descarrilamento interrompeu a circulação entre a Estação Central e a 114 Sul durante a manhã do dia 28, e a operação permanece com velocidade reduzida a um terço do normal, no trecho afetado.
O Metrô-DF informou que o Comitê Permanente de Segurança da empresa tem até 30 dias para concluir o relatório técnico que vai detalhar as causas do incidente, os procedimentos adotados e as medidas necessárias para evitar novas ocorrências.
Comissão de Mobilidade Urbana cobra plano de ação do Metrô-DF
A Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana (CTMU) da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) enviou ofícios ao Metrô-DF e à Secretaria de Mobilidade (Semob-DF) solicitando informações detalhadas sobre os procedimentos adotados após o descarrilamento de 28 de julho e pedindo a apresentação de um plano de ação para reforçar a segurança do sistema.
A comissão quer esclarecimentos sobre protocolos específicos para interrupções da operação, medidas aplicadas imediatamente após o incidente e ações previstas para reduzir riscos em trechos sensíveis da rede metroviária.
O presidente da CTMU, deputado distrital Max Maciel (Psol) - que publicou a foto da peça em seu Instagram -, afirmou que a denúncia envolvendo uma peça solta no sistema de engate é compatível com problemas estruturais identificados em fiscalizações recentes.
Em vistoria realizada em maio, a comissão apontou frota envelhecida, dificuldade para obtenção de peças de reposição, redução de equipes, manutenção comprometida e uso de trens desativados para retirada de componentes, prática conhecida como canibalização.
O relatório divulgado em junho também destacou falhas recorrentes nos sistemas de energia, sinalização e material rodante, além da ausência de redundância na rede, que opera com duas linhas sobre o mesmo tronco.
Para a comissão, a modernização do sistema e a regularização dos processos de manutenção são medidas urgentes para evitar novas falhas e reduzir o risco operacional.