BRASILIANAS | DF se destaca e é o segundo maior mercado de ônibus elétricos no país
Crescimento nacional de 92,5% impulsiona expansão e coloca Brasília entre os líderes em 2026 -- Reajuste na tarifa encerra impasse e libera operação da nova frota
O mercado brasileiro de ônibus elétricos encerrou o primeiro semestre de 2026 com 589 unidades emplacadas, alta de 92,5% em relação ao mesmo período de 2025. O avanço confirma a mudança de escala da eletrificação do transporte coletivo, impulsionada por grandes entregas, expansão das compras públicas e aumento da produção nacional.
A capital paulista segue como principal polo, com 429 veículos, mas Brasília aparece em segundo lugar, com 90 unidades, o equivalente a 15,3% do total nacional.
O resultado coloca o DF entre os principais destinos da eletrificação, embora a frota brasiliense não integre o crescimento da produção nacional. Os 90 ônibus adquiridos pelo governo são fabricados pela CRRC, empresa chinesa, e não entram na estatística que aponta que 80% dos veículos elétricos emplacados no país no semestre foram produzidos no Brasil. No mercado nacional, cinco fabricantes instaladas no país lideram a oferta, com destaque para Eletra, Mercedes-Benz e BYD.
Em junho, o setor registrou 278 emplacamentos, crescimento de 717,6% frente ao mesmo mês de 2025, movimento influenciado por cronogramas de produção e contratos municipais. Para especialistas, o desafio agora é ampliar a previsibilidade das compras públicas, reduzir a concentração regional e criar condições para que a eletrificação avance em outras cidades além dos grandes centros.
Brasilianas - Os primeiros ônibus elétricos foram autorizados a iniciar operação em quatro linhas que saem da Rodoviária do Plano Piloto, entre elas a da Esplanada dos Ministérios
Após reajuste tarifário, DF libera operação dos ônibus elétricos e inicia circulação da nova frota
Conforme revelou "Brasilianas", a Secretaria de Transporte e Mobilidade do DF (Semob) reajustou, em 24 de junho, a tarifa técnica da Viação Piracicabana para R$ 9,40 por passageiro, aumento de 7,2% em relação aos R$ 8,77 pagos desde janeiro. A medida encerrou o impasse que mantinha parados os 90 ônibus elétricos apresentados pelo GDF em maio como marco da modernização do transporte público.
Com a portaria assinada, os primeiros 12 veículos começaram a operar em 25 de junho nas linhas 109.3, 109.4, 108.5 e 0.110, que atendem áreas como Esplanada dos Ministérios, Setor de Autarquias Sul, Pátio Brasil, Setor Militar Urbano e Universidade de Brasília.
A frota elétrica representa investimentos entre R$ 157 milhões e R$ 189 milhões, com cada unidade avaliada em cerca de R$ 3,4 milhões. Somados às adaptações estruturais — garagens, carregadores, reforço de subestações e infraestrutura de recarga — os gastos ultrapassam R$ 300 milhões.
“Brasilianas” apurou que houve pressão direta da governadora Celina Leão (PP) para destravar a operação ainda em junho, após a revelação da coluna sobre o entrave tarifário.
A Piracicabana argumentava que o reajuste era necessário para recompor investimentos classificados como CAPEX, como aquisição da frota e obras de infraestrutura. A Semob não comentou oficialmente o aumento, mas confirmou a liberação dos primeiros veículos.
A operação será ampliada de forma progressiva até atingir os 90 ônibus, enquanto segue o debate sobre o prazo das concessões, que termina em 2033 e é considerado curto para amortizar investimentos de eletrificação.