BRASILIANAS | Detran-DF justifica motivos de reduzir a velocidade na Via JK: evitar mortes

Estudos apontam impacto mínimo no tempo de percurso -- Mortes registradas por atropelamento pesaram na decisão -- Rede Urbanidade e o Ministério Público veem redução na Via JK como referência para outras áreas do DF

Por por William França

No início da semana, o Detran-DF fez a troca da velocidade na via

A mudança da velocidade máxima na Via JK para 60 km/h, em vigor desde a semana passada (13 de julho), foi definida pelo Departamento de Trânsito do DF após análise técnica que avaliou o comportamento do tráfego e o histórico de sinistros fatais por atropelamento no corredor.

O diretor-geral do órgão, Marcu Bellini, disse a "Brasilianas" que a reclassificação da via como arterial responde ao padrão de ocupação do entorno e ao fato de que, nos horários de maior fluxo, o trecho já opera com velocidades inferiores a 80 km/h. O fluxo diário na via é estimado de 60 mil a 80 mil veículos. Dados preliminares mostram três mortes em 2025 e (por enquanto) nenhuma entre janeiro e maio de 2026 (dados ainda sujeitos à consolidação).

Sem registro de mortes, este ano

Dados preliminares do Detran-DF mostram três mortes registradas em 2025 e nenhuma entre janeiro e maio de 2026 (período ainda sujeito à consolidação). Embora o número de ocorrências fatais seja relativamente baixo, o órgão considera que a combinação entre velocidade elevada e travessias informais aumenta o risco para pedestres, especialmente nos pontos de maior adensamento.

Com a mudança, o Detran-DF prevê ainda a implantação de travessias semaforizadas, faixas de pedestres, bolsões de motos e faixas de retenção, além de ajustes na fiscalização eletrônica. As intervenções fazem parte do projeto de requalificação da via, que será executado nas próximas semanas e busca reduzir o risco de novos atropelamentos no trecho.

Divulgação/Detran-DF - A via JK tem fluxo diário estimado entre 60 mil e 80 mil veículos

Ministério Público e Rede Urbanidade veem redução na Via JK como referência para outras áreas do DF

Nota divulgada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, por meio da Rede Urbanidade, reforça o apoio institucional à redução da velocidade máxima na Via JK para 60 km/h.

Para o coletivo - iniciativa criada para promover o transporte coletivo e a mobilidade sustentável, que reúne o Ministério Público, órgãos do governo e a sociedade civil para melhorar o trânsito e o planejamento urbano -, a medida representa um avanço na construção de uma mobilidade que coloca a preservação da vida no centro das decisões públicas e abre caminho para intervenções de engenharia voltadas à proteção de pedestres e ciclistas.

A manifestação destaca que a adequação de limites de velocidade é apontada pela literatura técnica e por experiências nacionais e internacionais como uma das ações mais eficazes para reduzir a gravidade dos sinistros de trânsito.

A iniciativa é considerada alinhada ao Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito, aos princípios do Sistema Seguro e da Visão Zero, além da Política Nacional de Mobilidade Urbana, que prioriza modos não motorizados sobre os motorizados.

Divulgação/Detran-DF - Painéis indicam que está em vigência a redução da velocidade

Experiência poderá ser replicada

Um dos pontos mais relevantes da nota é a relação estabelecida com a Ação Civil Pública que trata das travessias do Eixão. A Rede Urbanidade avalia que a experiência da Via JK demonstra ser possível conciliar eficiência na circulação de veículos com padrões mais elevados de segurança viária, desde que as intervenções sejam fundamentadas em critérios técnicos e acompanhadas de diálogo com a sociedade.

Para o coletivo, a mudança na JK pode estimular soluções semelhantes em outros pontos críticos do Distrito Federal, especialmente em áreas onde a combinação entre velocidade elevada e circulação de pedestres aumenta o risco de sinistros graves. A expectativa é que o caso sirva de referência para futuras requalificações viárias no DF.