BRASILIANAS | Endividamento recua, mas inadimplência dispara no DF e supera média nacional por larga margem
Metade das famílias endividadas tem contas em atraso, acima da média nacional, afirma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) -- Cenário indica deterioração estrutural da capacidade de pagamento, diz Fecomércio-DF
O Distrito Federal encerrou junho de 2026 com um quadro financeiro que combina estabilidade no endividamento e forte deterioração na capacidade de pagamento das dívidas. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor do Distrito Federal (Peic-DF), da CNC, 79,7% das famílias brasilienses possuem algum tipo de dívida — percentual praticamente igual ao de maio (79,6%) e inferior à média nacional, de 81,6%.
A comparação anual, porém, revela expansão expressiva: em junho de 2025, 72% das famílias tinham dívidas; um ano depois, o índice chegou a 79,7%, o equivalente a 841,8 mil lares. Entre elas, 14,8% se consideram muito endividadas, 29,1% mais ou menos endividadas e 35,7% pouco endividadas.
O dado mais preocupante é a inadimplência. Metade das famílias endividadas do DF (50%) possui contas em atraso, o equivalente a 527,8 mil lares — enquanto a média brasileira ficou em apenas 29,9%. A diferença de mais de 20 pontos percentuais indica que o problema local não está no acesso ao crédito, mas na capacidade de pagamento.
Outro indicador reforça o alerta: 20,4% das famílias afirmam que não conseguirão quitar suas dívidas no próximo mês, frente a 12,2% na média nacional. Isso representa cerca de 216 mil famílias que já reconhecem dificuldades concretas para recuperar o equilíbrio financeiro.
A pressão é mais intensa entre famílias de menor renda. Entre aquelas com rendimento de até dez salários mínimos, 85,7% estão endividadas e 55,9% têm contas atrasadas. Entre famílias de renda superior, os percentuais caem para 66,7% e 38,2%, respectivamente. Além disso, 26,6% das famílias de menor renda afirmam que não conseguirão pagar suas dívidas no próximo mês.
O cartão de crédito permanece como principal modalidade de endividamento, presente em 83,1% das famílias, seguido por crédito pessoal (14,3%), carnês (14%), financiamento de veículos (12,9%) e financiamento imobiliário (9,6%). A predominância do crédito rotativo indica que muitas famílias continuam recorrendo a linhas de maior custo para sustentar o consumo.
A persistência das dívidas também preocupa: 50,2% das famílias inadimplentes têm contas vencidas há mais de 90 dias, e o comprometimento médio com dívidas chega a 8,1 meses, acima da média nacional de 7,2 meses.
Para o presidente da Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, o cenário exige atenção. Ele afirma que muitas famílias já atingiram o limite financeiro, o que compromete o consumo, reduz a capacidade de recuperação do varejo e limita o crescimento econômico. Freire defende iniciativas de educação financeira e programas de renegociação para restabelecer um ambiente de crédito mais saudável.