BRASILIANAS | Saída de Valter Casimiro da Secretaria de Obras do DF encerra ciclo

Ex-ministro e ex-secretário de Mobilidade pediu para sair do GDF

Por por William França

Valter Casimiro Silveira, que deixa a Secretaria de Obras do DF

O pedido de demissão de Valter Casimiro da Secretaria de Obras do Distrito Federal, feito por ele à governadora Celina Leão (PP) na tarde de segunda-feira (13 de julho), encerra um ciclo de quase oito anos dele no GDF. Ele deixa o governo com aval de Celina, que o considerou "um quadro técnico de excelência"

Ex-ministro dos Transportes no governo Michel Temer (MDB), diretor-Geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e ex-secretário de Mobilidade do DF por cinco anos (desde o início da gestão Ibaneis Rocha), Casimiro assumiu a Secretaria de Obras do DF em abril de 2024 para comandar uma das maiores estruturas operacionais do governo, responsável por mais de 2 mil obras previstas e por investimentos históricos que giram em torno de R$ 4,5 bilhões anuais.

A pasta administra contratos de grande porte, como a macrodrenagem do Sol Nascente, a requalificação da Via EPIG, intervenções no Trecho 2 do Polo JK — estimadas em R$ 111 milhões — e licitações de sinalização que podem alcançar centenas de milhões isoladamente.

Ao assumir a Secretaria de Obras, Casimiro ampliou sua influência ao incorporar o programa cicloviário e, meses depois, "tomou para si" o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF), responsável por mais de 1.800 quilômetros de rodovias e por competências que vão da engenharia à fiscalização de trânsito.

A mudança reforçou a imagem de “supersecretário”, consolidada em 2024, quando passou a comandar simultaneamente obras, infraestrutura, rodovias e parte da mobilidade. Isso porque, na pasta, ele deixou como secretário Zeno Gonçalves, que tinha sido seu colega no DNIT.

Tony Oliveira/Agência Brasília - Valter tinha um portfólio de obras que chegaram a R$ 4,5 bilhões

Casimiro demonstrava cansaço

Interlocutores relatam que, nas últimas semanas, Casimiro demonstrava desmotivação e cansaço. A priorização de pagamentos teria migrado para outras instâncias - como todo o GDF, que anda passando por ajuste de caixa -, e apenas obras com gestão externa (financiamentos bancários, como do BNDES, Caixa e BID) avançavam.

As demais obras - sobretudo as que estavam sob responsabilidade da Novacap e do DER-DF - eram "outros" que decidiam quais pagar, quando pagar e quanto pagar. E, na verdade, se iriam pagar...

"Brasilianas" apurou que Casimiro deve seguir para a iniciativa privada. Não há nomes definidos para sucedê-lo na Secretaria de Obras. Até a noite desta terça-feira (14), a decisão não tinha não tinha sido publicada no "Diário Oficial" do DF.