BRASILIANAS | Indústria do DF tem estrutura concentrada e foco local, aponta IBGE

Pesquisa Industrial Anual (PIA-Empresa) 2024 mostra perfil distinto do restante do Centro-Oeste -- Líder, o setor de alimentos ponta desafios e necessidade de investimentos

Por por William França

No DF, a fabricação de produtos alimentícios representa 28,9% do VTI (Valor da Transformação Industrial)

A Pesquisa Industrial Anual (PIA-Empresa) 2024, divulgada esta semana pelo IBGE, mostra que o Distrito Federal mantém uma estrutura industrial concentrada em poucos segmentos e voltada ao abastecimento interno.

O DF registrou 1.529 unidades locais industriais com cinco ou mais empregados e participação de 3,2% no Valor da Transformação Industrial (VTI) do Centro-Oeste. O resultado contrasta com o perfil dos demais estados da região, onde a agroindústria tem peso predominante.

Goiás responde por 43,4% do VTI regional, seguido por Mato Grosso (27,3%) e Mato Grosso do Sul (26,2%). Esses estados têm como base produtiva a fabricação de alimentos, a produção de celulose e papel e a cadeia de biocombustíveis, setores de grande escala e forte integração às cadeias agroindustriais.

No DF, a fabricação de produtos alimentícios representa 28,9% do VTI local, enquanto minerais não-metálicos respondem por 26%. O perfil industrial está ligado ao consumo regional e à construção civil, com menor presença de atividades de alta intensidade produtiva. A pesquisa reforça a necessidade de políticas específicas para ampliar a competitividade e diversificar a base industrial do Distrito Federal.

Moacir Evangelista - O presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentação de Brasília (Siab), Pedro Nicola

Setor de alimentos lidera estrutura industrial do DF, segundo PIA-Empresa 2024

O Distrito Federal possui 1.529 unidades locais industriais com cinco ou mais empregados e 35,1 mil pessoas ocupadas, segundo a PIA-Empresa 2024. A fabricação de produtos alimentícios lidera em unidades locais, empregos, salários e receita.

Em 2024, o segmento pagou R$ 447,9 milhões em salários e registrou receita líquida de R$ 3,5 bilhões. Minerais não-metálicos aparecem em segundo lugar, com forte ligação à construção civil. O VTI do DF soma R$ 4,8 bilhões, dos quais 54,9% vêm desses dois segmentos.

Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentação de Brasília (Siab), Pedro Nicola, o setor industrial do DF é “subvalorizado” e enfrenta “barreiras de entrada muito altas”, o que exige investimentos públicos para ampliar competitividade.

Ele afirma que políticas públicas locais, como o "Programa DF + Produtivo" são recentes e “ainda tímidas” diante de outros estados. Nicola destaca ainda a presença de entre 30 mil e 40 mil MEIs que atuam como pequenas unidades produtivas no segmento de alimentação, compondo parte relevante da atividade econômica local.