BRASILIANAS | DF lidera escolaridade no país e mantém menor analfabetismo entre as capitais

PNAD Educação 2025, do IBGE, mostra avanço consistente, mas desigualdades raciais seguem elevadas -- Capital supera média nacional em todas as faixas etárias e avança no ensino superior

Por POR William França

Taxa de anafalbetismo no DF

O Distrito Federal consolidou, em 2025, a posição de unidade da federação com os melhores indicadores educacionais do país, segundo a PNAD Contínua Educação divulgada pelo IBGE semana passada.

O levantamento mostra que o DF lidera simultaneamente quatro eixos estruturais: conclusão do ensino médio, conclusão do ensino superior, média de anos de estudo e baixa taxa de analfabetismo. O conjunto desses indicadores coloca a capital federal em um patamar educacional superior ao das demais regiões brasileiras, ainda que persistam desigualdades significativas entre grupos raciais e faixas etárias.

A taxa de analfabetismo no DF ficou em 2,0 por cento em 2025, menos da metade da média nacional, que atingiu 4,9 por cento — o menor índice da série histórica do país. O levantamento registra que 48 mil pessoas de 15 anos ou mais não sabem ler ou escrever na capital.

Entre idosos, o índice sobe para 7,0 por cento, confirmando a tendência nacional de concentração do analfabetismo nas faixas etárias mais elevadas. A diferença por sexo também aparece: mulheres registram taxa de 2,1 por cento, enquanto homens têm 1,8 por cento.

Divulgação/IBGE - Formação básica dos brasilienses, por cor

No recorte racial, o DF apresenta desigualdades menores que a média nacional, mas ainda expressivas. Entre pessoas brancas de 15 anos ou mais, 1,5 por cento são analfabetas; entre pretos ou pardos, o índice é de 2,3 por cento.

Na faixa de 60 anos ou mais, a distância aumenta: 5,0 por cento entre brancos e 8,6 por cento entre pretos ou pardos. No Brasil, essa diferença chega a 13,3 pontos percentuais.

O Distrito Federal também lidera o país na proporção de adultos com ensino médio completo. Entre pessoas de 25 anos ou mais, 75,2 por cento concluíram ao menos essa etapa, o maior percentual entre as unidades da federação.

O avanço se repete no ensino superior: 41,3 por cento dos adultos têm diploma universitário, índice que cresceu dez pontos percentuais desde 2016 e permanece como o mais alto do país. A média de anos de estudo no DF chegou a 12,2 anos, contra 10,2 anos da média nacional.

As desigualdades raciais também aparecem no nível de instrução. Entre brancos de 25 anos ou mais, 82,8 por cento concluíram o ensino médio; entre pretos ou pardos, o percentual é de 70,1 por cento.

No ensino superior, a diferença se mantém: 59,8 por cento dos jovens brancos de 18 a 24 anos estavam no nível universitário ou já haviam concluído essa etapa, enquanto entre pretos ou pardos o índice é de 41,9 por cento.

Apesar das disparidades, o conjunto dos indicadores mostra que o DF mantém trajetória de avanço contínuo na última década, com redução gradual das desigualdades e desempenho superior ao nacional em todos os recortes estruturais da pesquisa.

Divulgação/IBGE - Distribuição de instrução da população de acordo com a renda no DF

DF tem maior taxa de escolarização do país e amplia presença de jovens na educação

O Distrito Federal registrou, em 2025, a maior taxa de escolarização do país, segundo a PNAD Contínua Educação. O levantamento aponta que 32,0 por cento da população do DF estava estudando no ano passado, acima da média nacional de 27,1 por cento. O número total de estudantes chegou a 959 mil pessoas, com forte presença nas etapas da educação básica e crescimento contínuo no ensino superior.

Entre crianças de 0 a 3 anos, a taxa de escolarização subiu para 39,4 por cento, avanço de 2,8 pontos percentuais em relação a 2024. Na faixa de 4 a 5 anos, o índice chegou a 96,3 por cento. A universalização do ensino fundamental permanece praticamente consolidada: 99,6 por cento das crianças de 6 a 14 anos estavam na escola em 2025. Entre jovens de 15 a 17 anos, a taxa alcançou 97,6 por cento, um dos maiores percentuais da série histórica.

O DF também lidera o país na escolarização de jovens adultos. Entre pessoas de 18 a 24 anos, 50,9 por cento estavam estudando, e entre aquelas com 25 anos ou mais, 9,0 por cento permaneciam na educação formal — ambos os maiores índices entre as unidades da federação. A taxa ajustada de frequência escolar líquida no ensino superior atingiu 48,4 por cento, também a maior do país, indicando que quase metade dos jovens em idade universitária está no nível adequado.

A rede pública concentra a maior parte dos estudantes da educação básica: 67,1 por cento na creche e pré-escola, 69,8 por cento no ensino fundamental e 71,1 por cento no ensino médio. Já a rede privada domina o ensino superior, reunindo 75,1 por cento dos estudantes de graduação e 73,4 por cento dos alunos de pós-graduação.

Divulgação/IBGE - Taxa de escolarização das pessoas no DF, divididos por sexo e idade

As desigualdades raciais permanecem marcantes. Entre jovens brancos de 18 a 24 anos, 62,3 por cento estavam estudando; entre pretos ou pardos, o índice foi de 44,1 por cento. No ensino superior, a diferença é semelhante: 59,8 por cento dos brancos estavam no nível universitário, contra 41,9 por cento dos pretos ou pardos.

A pesquisa também mostra desafios entre jovens de 15 a 29 anos. No DF, 12,4 por cento não estudavam nem trabalhavam em 2025. Entre mulheres, o índice sobe para 16,2 por cento; entre pretos ou pardos, chega a 14,4 por cento. A proporção de jovens brancos que apenas estudavam (40,3 por cento) é muito superior à de pretos ou pardos (27,8 por cento), enquanto a taxa de jovens pretos ou pardos que apenas trabalham (37,2 por cento) supera a de brancos (29,5 por cento).

Os dados mostram que, embora o DF apresente os melhores indicadores de acesso à educação do país, as desigualdades entre grupos sociais permanecem como um dos principais desafios para a próxima década.