BRASILIANAS | Brasiliense Fernanda Cordeiro leva arte naïf a duas mostras nacionais e amplia presença no circuito

Artista do DF exibe obras no Festival Internacional de Arte Naïf, na Paraíba, e no EnanCO, em Goiânia

Por por William França

A artista plástica brasiliense Fernanda Cordeiro, referência crescente na arte naïf

A artista plástica Fernanda Cordeiro, brasiliense de Taguatinga e um dos nomes em ascensão da arte naïf no país, participa simultaneamente de duas mostras nacionais dedicadas ao gênero, consolidando sua presença no circuito brasileiro.

Na Paraíba, ela integra a 7ª edição do Festival Internacional de Arte Naïf (FIAN), em Guarabira, evento que reúne mais de 80 artistas brasileiros e estrangeiros em torno do tema “Naïfs pelo Clima: o Aquecimento Global”.

Sua obra apresentada, “Será Progresso ou Regresso?”, acrílica sobre papel, dialoga com o debate ambiental proposto pelo festival, retratando elementos da cultura de Recife, em Pernambuco, e reforça sua pesquisa sobre paisagens, cotidiano e transformações sociais. Na tela, ela utilizou seis diferentes tons de verde para expressar a água, cada qual reforçando uma característica do ambiente, de límpida e cristalina a poluída.

Reprodução - A obra "Será Progresso ou Regresso?", acrílica sobre papel

Durante a mostra, um dos curadores do festival — cuja equipe reúne especialistas nacionais e internacionais — destacou que a obra de Fernanda apresenta densidade e profundidade, características valorizadas no naïf contemporâneo. Segundo ele, o trabalho “não é plano”, expressão usada no meio para indicar quando uma pintura naïf ultrapassa a mera descrição literal e alcança camadas narrativas e estruturais mais complexas. A observação reforça a leitura de que a artista vem ampliando repertório e maturidade técnica dentro do gênero.

Instagram - Participantes da 7ª edição do Festival Internacional de Arte Naïf, em Guarabira (PB)

O FIAN, considerado o maior evento de arte naïf do Brasil, tem ampliado a projeção de artistas do estilo e já levou trabalhos de Fernanda a outras capitais, como Fortaleza. Numa mostra do FIAN em Brasília, ano passado, Fernanda teve uma de suas obras exposta na CAIXA Cultural Brasília.

A edição deste ano também presta homenagem a nomes históricos da vertente e mantém Guarabira como um dos polos mais relevantes da produção naïf contemporânea.

Divulgação - Cartaz de divulgação do Festival Internacional de Arte Naïf, em Guarabira (PB)

Cavalhadas de Pirenópolis, uma paixão

Em agosto, Fernanda volta a ocupar espaço nacional ao participar do 3º EnanCO – Folclore e Tradições, no Museu de Artes de Goiânia (MAG). O evento reúne cem obras selecionadas que retratam manifestações culturais das regiões onde vivem os artistas.

Para essa mostra, ela apresentará “As Cavalhadas no Cavalhódromo de Pirenópolis”, acrílica sobre tela que registra uma das celebrações mais emblemáticas do Centro-Oeste. Fernanda é uma apaixonada pela encenação que este ano completa seus 200 anos de tradição - e que Fernanda também registra em fotos emblemáticas. Todos os anos ela ainda coordena a Cavalhadinha, que reúne crianças e futuros integrantes da festa maior.

O EnanCO inclui palestras, visitas monitoradas e atividades formativas, reforçando o diálogo entre artistas populares e o público.

Divulgação - Cartaz de divulgação do 3º EnanCO - Encontro Nacional de Artistas Naïf do Centro-Oeste, em Goiânia (GO)

Premiada artista em ascenção

Fernanda conheceu a arte naïf em 2018 e iniciou sua carreira profissional dois anos depois. Sua produção se consolidou pela representação de temas rurais, tradições populares e cenas do interior do Brasil, com composições que combinam espontaneidade e referências culturais. Suas obras apresentam narrativa própria, riqueza de detalhes e minúcia técnica, muitas vezes construída a partir de elementos quase milimétricos.

Uma característica de seus trabalhos é que, dentre as dezenas de personagens que sempre se fazem presentes nos enredos que retrata, Fernanda sempre encontra espaço para representar familiares ou pessoas amigas. Uma presença constante é o seu cão Costela, um SRD preto que conviveu com ela por 15 anos - e, numa espécie de "Onde está Wally?", a tarefa sempre é descobrir onde está o cachorro estampado na tela.

Fernanda Cordeiro representou o Distrito Federal em edições anteriores do FIAN e recebeu menção honrosa pela obra “Livre arbítrio ou não?”, além de ter exibido telas como “O Meu Interior”, que ampliaram sua visibilidade nacional. Em Brasília, participou em 2025 de mostra coletiva de artistas candangos na Casa Thomaz Jefferson.

A presença simultânea de Fernanda Cordeiro nas duas mostras reforça a consolidação de sua carreira e a inserção crescente da produção brasiliense no mapa da arte naïf brasileira.