BRASILIANAS | Estudo aponta (de novo) moradias como futuro do SCS
Estudo da Universidade Católica de Brasília e da Pisac-UnB aponta ocupação residencial como vetor central da revitalização da área -- Atualmente, o SCS reúne ao menos dez prédios e cerca de 1,2 mil lojas e salas desocupadas
O diagnóstico elaborado pela Universidade Católica de Brasília (UCB), em parceria com o Parque de Inovação e Sustentabilidade do Ambiente Construído da Universidade de Brasília (Pisac-UnB), aponta a criação de moradias como uma das diretrizes centrais para reocupar o Setor Comercial Sul (SCS).
A região concentra hoje um conjunto expressivo de áreas vazias, incluindo ao menos dez prédios e cerca de 1,2 mil lojas e salas desocupadas, cenário que reforça a necessidade de estratégias capazes de gerar fluxo permanente de pessoas e atividades econômicas.
Segundo o coordenador do estudo, Alexandre Kieling, a implantação de residências é tecnicamente viável, desde que respeite as normas de proteção do patrimônio histórico definidas pelo Instituto do Patrimônio Histório e Artístico Nacional (Iphan), que regula intervenções no Conjunto Urbanístico de Brasília.
Paris como exemplo
A proposta se inspira em experiências internacionais de requalificação urbana, entre elas o modelo conhecido como Cidade de 15 Minutos, adotado em Paris, que integra moradia, serviços, comércio e lazer em distâncias reduzidas. No caso do SCS, o estudo sugere a diversificação dos perfis de ocupação, com alternativas para estudantes, jovens profissionais, trabalhadores de serviços e pessoas em tratamento nos hospitais próximos.
A presença de moradores, segundo o levantamento, tende a estimular a abertura de novos estabelecimentos, ampliar a segurança urbana e fortalecer a vitalidade econômica do território. Durante a apresentação dos relatórios, o presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, destacou que a ocupação residencial é um elemento recorrente em projetos de revitalização observados em cidades como Recife, Medellín, Paris, Rio de Janeiro e São Paulo, onde a presença de moradores contribuiu para reativar áreas centrais e ampliar a oferta de serviços.
Diagnóstico detalha modelos de gestão e estrutura jurídica para o Polo Criativo Tecnológico
As etapas mais recentes do diagnóstico conduzido pela Universidade Católica de Brasília (UCB) e pela Universidade de Brasília (UnB) consolidam a base técnica para a criação do Polo Criativo Tecnológico no Setor Comercial Sul. O trabalho reúne instrumentos jurídicos, urbanísticos e estratégicos destinados a orientar a implantação do futuro equipamento, que integra o programa Desafio DF, desenvolvido pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) e pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do DF (Secti-DF).
Os relatórios apresentam modelos conceitual, jurídico, de gestão, de desenvolvimento e de negócios, além do master plan que organiza diretrizes para requalificação do espaço urbano, integração entre áreas públicas e privadas, melhoria da circulação, ativação cultural e criação de ambientes favoráveis à inovação e à economia criativa.
O estudo também propõe uma estrutura de governança composta por um comitê estratégico e por uma entidade jurídica própria, responsável por executar ações e garantir continuidade ao projeto, independentemente de mudanças administrativas. A recomendação se baseia em experiências como a do Porto Digital, em Recife, que consolidou um modelo de gestão capaz de articular governo, setor produtivo, universidades e comunidade local.
A expectativa é que o Polo Criativo Tecnológico seja instituído até o fim de 2026 ou início de 2027, conforme o modelo a ser definido pelo Governo do Distrito Federal. O Sistema Fecomércio-DF também integra o processo com investimentos em unidades do Sesc, Senac e Instituto Fecomércio, que ampliaram sua atuação no SCS e hoje têm capacidade para atender cerca de 7 mil estudantes, reforçando a presença de atividades educacionais e de formação profissional no território.