BRASILIANAS | Tribunal de Contas dá 30 dias para DER-DF corrigir obra parada de viaduto no Noroeste

Tribunal cobra ajustes contratuais e controle tecnológico do asfalto; Órgão quer retomada do ritmo da obra por DER, Terracap e consórcio; Risco de entrega em 2027 permanece no radar da fiscalização

Por por William França

Ibaneis quando do anúncio da obra, em outubro de 2022

Uma semana após "Brasilianas" revelar falhas técnicas e inconsistências contratuais na obra do viaduto de acesso ao Setor Noroeste, o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) determinou que o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF) adote, em até 30 dias, medidas para corrigir os problemas identificados.

A decisão exige a revisão de medições e pagamentos, a comprovação da qualidade dos serviços executados e a regularização de procedimentos ligados à execução contratual. O tribunal também determinou que o DER, a Terracap e o consórcio responsável retomem o ritmo adequado da obra, diante de atrasos sucessivos e falhas de planejamento.

DER-DF - O projeto do viaduto do Noroeste, segundo o DER-DF

A equipe técnica apontou medições acima do previsto em projeto, pagamentos sem cobertura formal, erros no cálculo de reajustes e deficiências no controle tecnológico do asfalto, como baixa frequência de ensaios e falhas na rastreabilidade dos testes. Para o corpo técnico, as inconsistências podem gerar impacto financeiro relevante e comprometer a durabilidade do pavimento, além de manter o risco de a entrega, inicialmente prevista para 2023, ocorrer apenas em 2027.

Em resposta, o DER afirmou a "Brasilianas" reconhecer a importância do trabalho de auditoria e informou que analisará os apontamentos, encaminhando ao tribunal as medidas que serão acatadas e as justificativas para eventuais divergências. A autarquia destacou que esse é o procedimento previsto quando há identificação de inconsistências.

Ibaneis prometeu a obra em 2022

A obra foi anunciada em outubro de 2022 pelo então governador Ibaneis Rocha (MDB), que afirmou que o viaduto solucionaria um gargalo histórico no acesso ao Noroeste. Na ocasião, ele declarou que o projeto atendia a uma demanda antiga: “Essa é uma dívida do governo com esse bairro. Esse bairro foi vendido como uma esperança, e agora estamos saldando esse débito”, disse à época.

O TCDF acompanhará o cumprimento das determinações e poderá adotar novas medidas caso os ajustes não sejam implementados.