BRASILIANAS | Brasília tem menor IPCA-15 do país

Prévia da inflação fica em 0,41% em abril; Capital registra desaceleração em 12 meses

Por William França

Cebola e tomate estão entre os alimentos que mais pressionaram a inflação este mês

Prévia da inflação fica em 0,41% em abril

Capital registra desaceleração em 12 meses

O IPCA-15 de abril mostrou que Brasília teve a menor variação entre as 11 áreas pesquisadas pelo IBGE. A prévia da inflação ficou em 0,41%, bem abaixo da taxa nacional de 0,89% e ligeiramente inferior ao resultado de março, quando o índice havia sido de 0,44%.

O comportamento reforça um movimento de desaceleração observado nos últimos meses na capital federal. No acumulado do ano, o índice chega a 1,92%, e em 12 meses, a 4,14%, patamar que mantém Brasília abaixo da média nacional.

O grupo alimentação e bebidas foi o principal responsável pela alta do mês, com variação de 0,99%. Produtos in natura e itens de consumo diário tiveram aumentos expressivos, como tomate, cebola, leite longa vida, pão francês e refeições fora de casa.

Esses itens, por terem peso significativo no orçamento das famílias, acabam influenciando diretamente a percepção de inflação no dia a dia. Por outro lado, houve recuos em alimentos importantes, como frango em pedaços, queijo, café moído e chocolates, que ajudaram a conter parte da pressão.

O grupo transportes avançou de 0,14% em março para 0,39% em abril. A alta foi puxada por gasolina, ônibus urbano, automóvel novo, óleo diesel e serviços de manutenção. Apesar disso, a queda de 10,88% nas passagens aéreas teve impacto relevante na composição do índice, sendo o subitem que mais contribuiu para reduzir a inflação local no mês.

A oscilação das tarifas aéreas, comum em períodos de ajuste de demanda, ajudou a equilibrar o avanço dos demais itens do grupo.

Saúde avança com serviços e produtos mais caros

O grupo saúde e cuidados pessoais registrou alta de 0,52%, influenciado por aumentos em planos de saúde, consultas médicas, serviços odontológicos e produtos dermatológicos. A pressão nesse grupo reflete tanto reajustes contratuais quanto a demanda crescente por serviços particulares, especialmente em períodos de maior procura por atendimentos especializados.

O grupo vestuário foi o único a apresentar variação negativa em abril, com recuo de 0,61%. Peças femininas, masculinas e infantis tiveram reduções de preço, contribuindo para aliviar o índice geral. O comportamento do setor costuma refletir mudanças de estação, promoções e ajustes de estoque do comércio.

O IPCA-15 considera preços coletados entre 18 de março e 15 de abril e utiliza a mesma metodologia do IPCA, diferenciando-se apenas pelo período de coleta. O indicador abrange famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos e inclui as principais regiões metropolitanas do país, além de Brasília e Goiânia.

A próxima divulgação está prevista para 27 de maio, quando será possível avaliar se a tendência de desaceleração na capital federal se mantém.