BRASILIANAS | A crise do BRB: como um banco público virou o maior risco fiscal do DF
Perdas bilionárias pressionam o DF; Capitalização pode elevar dívida e afetar CAPAG
Perdas bilionárias pressionam o DF
Capitalização pode elevar dívida e afetar a Capacidade de Pagamento, que já está baixa
A crise do Banco de Brasília se tornou o principal risco fiscal emergente para o Distrito Federal. Em 2025, o BRB comprou carteiras de crédito do Banco Master. Meses depois, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, e auditorias independentes apontaram perdas entre 8 e 13 bilhões de reais. Para um banco do porte do BRB, trata-se de um impacto potencial gigantesco.
Para enfrentar o problema, o BRB apresentou um plano de capitalização de até 8,9 bilhões de reais. O governo do Distrito Federal, acionista controlador, propôs usar imóveis públicos como garantia para captar recursos. Isso significa que o patrimônio do DF pode ser comprometido para salvar o banco.
O estudo do Observa-DF alerta que o DF não tem margem fiscal para absorver um choque dessa magnitude. O caixa está negativo, a poupança corrente é mínima e a capacidade de enfrentar imprevistos é praticamente inexistente. Se o governo tiver de capitalizar o BRB, a dívida pode subir rapidamente e a classificação CAPAG — que já está em C — pode piorar, impedindo o DF de contratar novos empréstimos com garantia da União.
A crise do BRB, portanto, não é apenas um problema bancário. É um risco direto para as contas públicas do DF, que já operam no limite.
A despesa com pessoal do Distrito Federal permanece estável há anos, mas isso não significa que o orçamento tenha folga. O estudo do Observa-DF mostra que a folha de pagamento tem pouca variação real, enquanto a receita oscila bastante.
Essa combinação cria um ambiente de vulnerabilidade: quando a arrecadação cai, o indicador de gasto com pessoal sobe rapidamente, pressionando o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Durante o governo Rollemberg, o DF operou próximo — e em alguns momentos acima — do limite prudencial. Na gestão Ibaneis Rocha, o indicador recuou, mas não o suficiente para abrir espaço estrutural.
A poupança corrente permanece acima de 95%, o que significa que quase toda a receita é consumida por despesas do dia a dia. Sobra muito pouco para investimentos, amortização de dívidas ou formação de reservas.
O estudo mostra que o problema não é o tamanho da folha, mas a rigidez do gasto. A despesa com pessoal não acompanha as quedas de receita e não pode ser ajustada rapidamente.
Isso impede o DF de construir colchões de segurança. Sem poupança, qualquer oscilação econômica vira crise. O orçamento funciona no limite, sem espaço para absorver imprevistos.