BRASILIANAS | Veado-catingueiro volta ao Cerrado, após tratamento

Animal atropelado recebeu alta após um mês de cuidados; Soltura ocorreu na Estação Ecológica de Águas Emendadas

Por William França

A fêmea de veado-catingueiro (Mazama gouazoubira)

Animal atropelado recebeu alta após um mês de cuidados

Soltura ocorreu na Estação Ecológica de Águas Emendadas

A devolução de uma fêmea de veado-catingueiro à natureza, após mais de um mês de tratamento no Hospital de Fauna Silvestre do Distrito Federal (Hfaus), evidencia o papel crescente das estruturas públicas de atendimento a animais silvestres no DF. O animal havia sido resgatado em Planaltina pelo Batalhão de Polícia Militar Ambiental depois de ser atropelado, situação comum nas regiões de transição entre áreas urbanas e fragmentos de Cerrado. Quando chegou ao hospital, apresentava sinais compatíveis com trauma recente, incluindo sangramento nasal e escoriações, mas exames clínicos e radiográficos descartaram fraturas e outras lesões graves.

Ascom/ Brasília Ambiental - Vítima de atropelamento, animal ficou internado pouco mais de um mês recebendo tratamento especializado

Durante o período de internação, a equipe do Hfaus realizou monitoramento contínuo do estado orgânico da fêmea, com exames laboratoriais que permitiram acompanhar a evolução do quadro. Um dos pontos observados foi a ausência de miopatia de captura, condição associada ao estresse elevado e que pode comprometer a recuperação de animais silvestres. A evolução positiva, incluindo ganho de peso e estabilidade clínica, permitiu que a soltura fosse programada para a Estação Ecológica de Águas Emendadas, área próxima ao local do resgate e considerada adequada por reunir condições de abrigo, alimentação e segurança.

Ascom/ Brasília Ambiental - A Esecae foi escolhida para a soltura por reunir condições ideais de abrigo, alimentação e segurança

A operação envolveu equipes do Brasília Ambiental e do hospital desde as primeiras horas da manhã, com procedimentos voltados a reduzir o estresse do animal durante o transporte e a soltura. A escolha da Esecae segue protocolos que priorizam a devolução em áreas preservadas e próximas ao ponto de origem, reduzindo riscos de desorientação e aumentando as chances de reintegração ao ambiente natural. A unidade de conservação, com mais de nove mil hectares de Cerrado protegido, é uma das mais importantes do DF e abriga diversas espécies nativas.

O caso reforça a importância das estruturas de atendimento a fauna silvestre mantidas pelo governo distrital, que têm registrado aumento na demanda por resgates e reabilitações. Atropelamentos continuam entre as principais causas de entrada de animais no Hfaus, especialmente em regiões onde vias de tráfego cortam áreas de vegetação nativa. A atuação integrada entre o BPMA, o hospital e o Brasília Ambiental tem permitido que parte desses animais seja tratada e devolvida ao habitat natural, contribuindo para a conservação da biodiversidade local.

Ascom/ Brasília Ambiental - O animal foi solto na Estação Ecológica de Águas Emendadas (Esecae), em Planaltina