BRASILIANAS | Descarte irregular pressiona drenagem e acende alerta

Novacap retira 60 mil toneladas por ano e restos de obra lideram entupimentos; Endurecimento da legislação nacional abre caminho para punições mais severas no DF

Por por William França

Flagrante do descarte de entulho em Santa Maria

Novacap retira 60 mil toneladas por ano e restos de obra lideram entupimentos

Endurecimento da legislação nacional abre caminho para punições mais severas no DF

O Distrito Federal convive com um problema que se tornou parte da paisagem urbana: o lixo descartado nas ruas. Ele aparece em bocas de lobo, margens de avenidas, áreas verdes e até em regiões de grande circulação. A Novacap estima que cerca de 60 mil toneladas de resíduos sejam removidas todos os anos apenas das estruturas de drenagem — um volume que revela a dimensão do desafio e o impacto direto das ações individuais no funcionamento da cidade.

Os materiais encontrados são sempre os mesmos: sacolas plásticas, garrafas PET, copos descartáveis, restos de móveis, areia e, sobretudo, restos de construção civil. Esses resíduos se acumulam dentro das tubulações, reduzem a capacidade de escoamento e provocam obstruções que afetam o sistema como um todo. A companhia mantém 18 equipes dedicadas exclusivamente à drenagem, utilizando vídeoinspeção, caminhões desobstruidores e monitoramento constante para evitar que a rede entre em colapso.

Esse cenário local se conecta a um movimento nacional. Esta semana, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto que endurece as punições para quem descarta lixo irregularmente, prevendo multas proporcionais ao volume descartado e ao porte econômico do infrator. A proposta reforça a responsabilidade civil e administrativa por danos ambientais e abre caminho para que o DF amplie sua capacidade de fiscalização. A legislação, agora em análise no Senado, cria uma base mais sólida para que estados e municípios adotem medidas mais rigorosas e integradas.

No DF, onde o descarte irregular pressiona diariamente a infraestrutura urbana, o avanço da legislação nacional representa uma oportunidade de fortalecer políticas locais e responsabilizar com mais firmeza quem contribui para a sobrecarga da drenagem. A combinação entre tecnologia, fiscalização e punição tende a se tornar um dos pilares para enfrentar um problema que, embora cotidiano, tem efeitos profundos sobre a cidade.

Flagrante em Santa Maria expõe impacto dos restos de obra

O caso registrado em Santa Maria nesta semana ilustra com clareza o que os órgãos de fiscalização enfrentam diariamente no DF. Uma carretinha carregada com resíduos de construção civil foi flagrada descartando entulho às margens da CL 410. As imagens, enviadas pela administração regional, mostravam o momento exato da infração, com data, hora e localização precisas. A partir desse material, a Secretaria Executiva de Inteligência e Compliance identificou a proprietária do veículo e repassou os dados à equipe de fiscalização da DF Legal.

Menos de 24 horas depois, a multa de R$ 3.057,95 estava lavrada. A infratora ainda foi obrigada a realizar a limpeza do local, sob pena de nova autuação. O episódio revela a importância da integração entre administrações regionais, inteligência e equipes de campo — um modelo que tem ampliado a capacidade de resposta do governo. No primeiro trimestre, foram 1.489 fiscalizações presenciais, além de denúncias enviadas pela população e por gestores locais.

O descarte irregular de restos de obra é um dos maiores vilões da drenagem urbana. Esses materiais endurecem dentro das tubulações, formam barreiras e comprometem o fluxo da água. Mesmo com 27 papaentulhos espalhados pelo DF, muitos ainda optam por descartar resíduos em áreas públicas, sobrecarregando o sistema e gerando custos elevados para o poder público.

O caso de Santa Maria ocorre justamente no momento em que o país discute o endurecimento das punições para esse tipo de infração. A legislação aprovada na Câmara prevê multas mais altas e responsabilidade ampliada para pessoas físicas e jurídicas. Para o DF, que já aplica penalidades que podem chegar a R$ 305 mil, a nova base legal tende a reforçar a atuação da DF Legal e a consolidar um modelo de fiscalização mais rigoroso e eficiente.