BRASILIANAS | Erro em nomeação expõe tensão interna e marca aniversário esvaziado de Brasília

DODF trouxe exoneração e recondução no mesmo dia e gerou repercussão política; Aniversário de Brasília teve missa esvaziada; 'Brasilianas' apurou tensão política e irritação da governadora

Por William França

Catedral teve público reduzido na missa do aniversário

DODF trouxe exoneração e recondução no mesmo dia e gerou repercussão política

Aniversário de Brasília teve missa esvaziada; 'Brasilianas' apurou tensão política e irritação da governadora

A edição extra do "Diário Oficial do Distrito Federal", publicada em 20 de abril, trouxe uma sequência incomum de atos envolvendo o comando do Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (IprevDF). O documento registrou a exoneração de Raquel Galvão Rodrigues da Silva, seguida da nomeação de Geraldo Lorenço de Almeida para a presidência do órgão — e, horas depois, a recondução de Raquel ao cargo.

Reprodução/DODF - Reprodução do Diário Oficlal do DF do dia 20 de abril, com o troca-troca de nomeações

O ponto central é que a diretora-presidente do Iprev-DF tem mandato fixo de três anos, o que significa que não poderia ser exonerada livremente, salvo em hipóteses específicas previstas em lei. A troca relâmpago, portanto, gerou forte repercussão interna.

(Observação de "Brasilianas": com quase 300 assessores na Vice-Governadoria, além de toda a estrutura da Governadoria, ninguém viu isso em tempo de avisar à governadora, a fim de evitar este erro administrativo)?

“Brasilianas” apurou que o episódio expôs divergências sobre a condução do instituto e ampliou tensões políticas no Buriti. A coluna também apurou que Raquel foi substituída inicialmente por ser considerada por Celina Leão figura de extrema confiança do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) - e o troca-troca expôs a rusga e aumentou a sensibilidade do caso.

Catedral esvaziada irrita Celina

O desgaste coincidiu com outro constrangimento: o aniversário de 66 anos de Brasília, celebrado neste 21 de abril. A tradicional missa na Catedral Metropolitana teve público menor que o habitual. A governadora havia cancelado a programação oficial do aniversário, justificando a necessidade de priorizar ações na área da saúde, o que reduziu a mobilização da população.

O fato de Celina Leão ser evangélica também não mobilizou a base, apesar do convite oficial ter sido enviado a vários grupos do Governo do Distrito Federal.

Paulo H. Carvalho/ Agência Brasília - A governadora Celina Leão (PP), na missa da Catedral

Além disso, “Brasilianas” apurou que a foto do evento evidenciou um incômodo adicional para quem esteve por lá: ex-auxiliares do governo, como o ex-chefe da Casa Civil Gustavo Rocha e a ex-secretária de Justiça, Marcela Passamani - todos candidatos a cargos eletivos este ano -,  ocuparam os assentos de maior destaque, enquanto secretários que compareceram ficaram em posições secundárias.

A percepção de desprestígio de quem foi também gerou desconforto entre integrantes do primeiro escalão. Mas o que irritou a governadora foi o esvaziamento da igreja, uma vez que ela esperava maior alinhamento político em uma data simbólica. 

Quase ao final da celebração, o presidente da República em exercício, Geraldo Alckimin (PSB), apareceu na missa. Apesar desta presença ilustre, a "Agência Brasília", do GDF, não divulgou nenhuma imagem do representante do Governo Federal - que integra um partido adversário à governadora.