BRASILIANAS | Vice-governadoria do DF (sem função) tem 300 cargos e ainda dispara nomeações
Enquanto o Rio de Janeiro exonerou 459 servidores, muitos 'fantasmas', o DF ampliou estrutura e já supera 300 cargos; Folha da vice-governadoria chega a R$ 2,2 milhões por mês e inclui casos sem expediente
Enquanto o Rio de Janeiro exonerou 459 servidores, muitos 'fantasmas', o DF ampliou estrutura e já supera 300 cargos
Folha da vice-governadoria chega a R$ 2,2 milhões por mês e inclui casos sem expediente
A expansão da vice-governadoria do Distrito Federal, hoje sob comando direto da governadora Celina Leão (PP), reacendeu o debate sobre o tamanho da máquina pública e o uso de cargos comissionados. Desde a renúncia de Ibaneis Rocha (MDB), em 30 de março, a estrutura — que não tem vice e funciona em um espaço físico que comporta cerca de 70 pessoas — passou a registrar um volume crescente de nomeações. Já são mais de 300 cargos, muitos deles sem rotina de trabalho definida, segundo relatos internos.
O movimento contrasta com o que ocorre no Rio de Janeiro. Lá, o governador interino Ricardo Couto de Castro, também presidente do Tribunal de Justiça, iniciou uma operação de corte de gastos que já exonerou 459 servidores comissionados e prevê eliminar até 1.600 cargos, com economia estimada em R$ 10 milhões por mês. A ação mira servidores sem expediente, funções consideradas desnecessárias e estruturas que perderam razão de existir.
No DF, a percepção é oposta. Servidores relatam que boa parte dos nomeados não aparece para trabalhar, não registra movimentação no SEI — sistema que documenta atividades internas — e não possui atribuições claras. A presença de cargos incomuns, como chefias de “assuntos religiosos” e “assuntos rurais”, reforça a sensação de que a estrutura vem sendo usada para abrigar indicações políticas e religiosas. Há relatos de pastores, parentes de pastores, filhos de magistrados e apadrinhados ocupando funções sem atividade prática definida.
Folha da vice-governadoria ultrapassa R$ 2,2 milhões mensais e inclui casos sem expediente
A vice-governadoria do Distrito Federal mantém hoje 393 servidores ativos, segundo dados da página da transparência, do próprio GDF, com remuneração líquida mensal de R$ 2.245.044,62. A estrutura conta ainda com 241 cargos comissionados ocupados, além de 26 vagos.
Considerando o período até janeiro de 2027, quando tomam posse os próximos eleitos, a despesa acumulada deve ultrapassar R$ 22 milhões - caso a estrutura seja mantida como está.
A dimensão da folha contrasta com o espaço físico da vice-governadoria, instalada no Palácio do Buriti, e com relatos de baixa produtividade. Um dos casos citados por servidores é o do ex-deputado federal Luís Miranda (Republicanos), nomeado para a estrutura, mas que, segundo relatos, nunca compareceu ao local de trabalho. Ele mantém um programa de rádio e não teria movimentação registrada no SEI, sistema que registra atividades internas. Outros nomeados também apresentam pouca ou nenhuma atuação visível.
Procurada por "Brasilianas" sobre se pretende manter a estrutura da vice-governadoria mesmo diante da necessidade de ajustes e cortes de gastos, a Assessoria de Imprensa de Celina Leão informou que a governadora preferiu não responder.