BRASILIANAS |Inadimplência no Distrito Federal dispara e supera média nacional
Contas em atraso atingem 47,1% das famílias; Juros e inflação pressionam orçamento local; Peso maior entre famílias de até 10 salários
Contas em atraso atingem 47,1% das famílias
Juros e inflação pressionam orçamento local
Peso maior entre famílias de até 10 salários
O Distrito Federal apresenta um quadro preocupante de inadimplência. Embora o índice de endividamento esteja próximo da média nacional (79,7% contra 80,4%), o percentual de famílias com contas em atraso é muito superior: 47,1% no DF contra 29,6% no país. A diferença de 17,5 pontos percentuais evidencia maior dificuldade de pagamento entre os consumidores locais, pressionados por juros elevados e inflação persistente.
Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o número de famílias endividadas no DF recuou levemente em março, passando de 80,0% para 79,7%, o que representa 841.657 famílias. Apesar da queda mensal, o índice segue muito acima do registrado em março de 2025, quando estava em 66,7%.
Na contramão, a inadimplência avançou: 497.433 famílias com contas em atraso, 21.517 a mais que em fevereiro e 70.774 acima do mesmo mês do ano passado. O grupo sem condições de pagar dívidas permaneceu estável em 20,4%, ou 215.770 famílias.
Para o presidente da Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, o cenário mostra que, embora o nível de endividamento esteja em linha com o país, a capacidade de pagamento das famílias brasilienses vem sendo mais pressionada. Segundo ele, “juros elevados e inflação persistente continuam reduzindo o orçamento doméstico, mesmo em um contexto de maior regularidade da renda, especialmente no setor público”.
Cartão de crédito concentra dívidas e amplia risco de inadimplência
O cartão de crédito continua sendo o principal motor do endividamento no Distrito Federal. De acordo com a Peic, 86,9% das dívidas contratadas estão ligadas a essa modalidade. O peso é ainda maior entre famílias com renda de até 10 salários mínimos, grupo em que o cartão responde por 92,0% das dívidas. Entre aquelas com renda superior, o índice é de 76,0%.
A pesquisa mostra também que o tempo médio de atraso no pagamento das dívidas é de 68 dias. O comprometimento médio da renda com dívidas corresponde a 35 semanas, ou seja, até oito meses para quitar os débitos. Esse prazo prolongado indica que muitas famílias precisam reorganizar o orçamento por longo período para conseguir liquidar compromissos.
Apesar da alta inadimplência, o percentual de renda comprometida com dívidas no DF está em 23,6%, abaixo do pico histórico de 35,8% registrado em agosto de 2016 e também inferior à média nacional atual. O dado sugere que, embora o cartão seja instrumento de acesso ao consumo e amplie a circulação de crédito, ele também aumenta o risco de inadimplência, sobretudo entre famílias de menor renda, que dependem mais dessa modalidade para manter o padrão de consumo.